Boletim informativo REDE JUBILEU SUL BRASIL – Março/2021

DOSSIÊ BERTA CÁCERES No contextual atual em que os povos originários das Américas estão entre os mais afetados pela profunda negligência dos governos nacionais em relação à pandemia de covid-19, relembrar a trajetória de luta ✊ de uma mulher indígena, do povo Lenca, em Honduras, revigora nossa resistência e nossa luta por um modelo de sociedade anticapitalista. Leia mais em “Você tem a bala, eu tenho a palavra” – Um dossiê sobre Berta Cáceres

 

 

DOSSIÊ MARIELLE FRANCO
Completou-se três anos que a pergunta “Quem mandou matar Marielle Franco?” segue sem resposta. A revolta diante da impunidade e o temor pela perda de uma militante dos direitos humanos, não são maiores do que a nossa gratidão pelo legado que Marielle nos deixou. Leia mais em A cria da Maré que enfrentou os poderosos do Rio – Dossiê sobre Marielle Franco.

Entre os dias 1º e 7 de março, o Coletivo de Mulheres da Rede Jubileu Sul Brasil promoveu uma semana de ativismos. foi postado nas nossas redes sociais, vídeos da série “Nós, mulheres, na defesa e na luta por direitos”, produzido pelas integrantes do coletivo. Para saber mais acesse: Coletivo de Mulheres do Jubileu Sul lança série de vídeos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O último 8 de março, Dia Internacional da Mulher, foi mais um dia de lutas em torno da caminhada delas em busca de igualdade em todos os setores da sociedade. Coletivos de todo o país se manifestaram, buscando discutir as principais formas de combater as injustiças de gênero, ainda mais aprofundadas com a crise causada pela pandemia de Covid-19. Leia o texto completo Luta pelo direito à vida e renda marcam o Dia Internacional da Mulher.

Fuente: Jubileu Sul Brasil

Derechos humanos, asignatura pendiente en Honduras

Oacnudh presentó informe 2020

La Oficina del Alto Comisionado de Naciones Unidas para los Derechos Humanos (Oacnudh) presentó su informe anual sobre la situación de los derechos humanos en Honduras durante el 2020. Como era de esperarse, el país centroamericano sigue sumergido en una profunda crisis de violación de derechos.

“En 2020, Honduras siguió enfrentando importantes desafíos en materia de derechos humanos, incluidos altos niveles de pobreza, violencia, impunidad, discriminación y falta de acceso a los derechos económicos, sociales y culturales. La pandemia de Covid-19 y los huracanes Eta e Iota agravaron esta situación”, señala el informe.

Isabel Albaladejo, representante de la Oacnudh en Honduras, explicó que uno de los principales desafíos tiene que ver con los altos niveles de impunidad.

Hasta la fecha no se han realizado avances significativos en la investigación y sanción por la desaparición forzada de al menos 179 personas en la década de los 80, así como por la violación de derechos humanos en el contexto del golpe de 2009 y la crisis post-electoral de 2017 hasta la fecha.

“Nos preocupa la impunidad frente a todos estos crímenes. Para la Oficina es clave tener lecciones aprendidas y sabemos que quien no conoce su historia está obligado a repetirla. Ojalá no sea el caso de Honduras”, dijo Albaladejo a La Rel.

“Llamamos al Estado a tomar todas las medidas que permitan el esclarecimiento de lo sucedido, el acceso a la justicia de las víctimas y la reparación integral a las víctimas. Solamente así se puede asegurar la no repetición de los hechos y los abusos”, agregó.

Las elecciones internas del 14 de marzo y las generales del 28 de noviembre pondrán a prueba la voluntad del Estado hondureño de avanzar en la prevención y no repetición de la violación de derechos humanos.

La Oacnudh estará monitoreando ambos procesos electorales para documentar las violaciones de derechos humanos que se puedan producir.

¿Justicia para quiénes?

Durante 2020, la falta de efectividad del sistema de justicia fue profundizándose con la pandemia. La Oacnudh dijo estar preocupada por los casos de tráfico de influencia, las presiones sobre el sistema judicial que afectan su independencia, así como por la aprobación del nuevo Código Penal y la reforma de la Ley del Tribunal Superior de Cuentas, que podrían socavar aún más el marco legal para investigar y sancionar actos de corrupción.
El informe señala también las pésimas condiciones en que se encuentran los privados de libertad y el abuso de la prisión preventiva: más del 55 por ciento de los reclusos está bajo una medida cautelar que debería ser excepcional.

Además, el sistema penitenciario sigue bajo administración militar, con graves casos de hacinamiento, violencia, falta de acceso a la atención médica y de comunicación.

Que las Fuerzas Armadas sigan ejerciendo funciones de seguridad pública plantea graves riesgos para los derechos a la vida y la seguridad de las personas.

En el informe se señalan varios casos de detención arbitraria, malos tratos, torturas, ejecuciones extrajudiciales y desaparición forzada, que presuntamente involucran a las fuerzas de seguridad.

“Es necesario avanzar hacia la desmilitarización de la seguridad pública y con el proceso de reestructuración y profesionalización de la institución policial”, aseveró Albaladejo.

Ataque a personas defensoras

La Oficina del Alto Comisionado observó también una reducción progresiva de los espacios públicos por el uso excesivo de la fuerza.

“Las personas defensoras de derechos humanos continúan siendo víctimas de hostigamiento, vigilancia, campañas de desprestigio, amenazas, detenciones arbitrarias, criminalización, agresiones físicas, desapariciones y asesinatos.

Las personas defensoras indígenas y afro hondureñas que protegen sus territorios y recursos naturales de la implementación y proliferación de industrias extractivas, proyectos turísticos y monocultivos extensivos, enfrentaron particular riesgo”.

En 2020, 8 personas defensoras (tres garífunas) y 3 periodistas fueron asesinados en total impunidad.

“La impunidad contribuye a la vulnerabilidad de las personas defensoras de derechos humanos en el país y obstaculiza las garantías de no repetición”, recordó Albaladejo.

El informe remarcó también la violación sistemática de derechos en cuanto a salud, educación, derechos laborales, y contra las personas en situación de vulnerabilidad, incluidas las mujeres, los pueblos indígenas y negros, las personas LGBTI y las personas migrantes.

Finalmente, en aras de acompañar al Estado de Honduras en la superación de problemas y desafíos en materia de derechos humanos, la Alta Comisionada formuló 20 recomendaciones.

Informe completo (traducción no oficial)

Por Giorgio Trucchi | Rel UITA

Fotografía: Rel UITA

 

Fuente: Radio Temblor

A cria da Maré que enfrentou os poderosos do Rio – Dossiê sobre Marielle Franco

Arredores da praça Floriano Peixoto, Cinelândia, centro do Rio de Janeiro. Nesse endereço está localizado o Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara Municipal da capital fluminense.

Dentro daquele prédio, em 8 de março de 2018, ouvia-se: “as rosas da resistência nascem do asfalto. Nós recebemos rosas, mas também estaremos com os punhos cerrados, falando do nosso lugar de vida e resistência contra os mandos e desmandos que afetam nossas vidas. Até porque não é uma questão do momento atual”.

Da galeria, num tom de voz elevado, um homem que acompanhava a sessão legislativa manifestava afirmações em defesa da Ditadura Militar, como forma de atrapalhar o discurso feito naquele momento. Em resposta, a oradora foi enfática: “não serei interrompida, não aturo interrupção dos vereadores desta Casa, não aturarei de um cidadão que vem aqui e não sabe ouvir a posição de uma mulher eleita”.

Seis dias depois, na rua Joaquim Palhares, também região central do Rio, há menos de 10 km do Palácio Pedro Ernesto, quatro balas atingiam a cabeça da autora daquele discurso. Assim, na noite daquela quarta-feira, 14 de março de 2018, Marielle Francisco da Silva, conhecida por Marielle Franco, era interrompida.

Mas se os tiros que tiraram a sua vida e do seu motorista, Anderson Gomes, a interromperam, não foram suficientes para silenciá-la. Marielle virou semente crioula que, enfrentando a dureza das estruturas racistas e patriarcais, se multiplica em sementes ainda mais resistentes, diversas e coloridas.

Uma dessas sementes é Mônica Benício, arquiteta, pesquisadora de temas relacionados ao Direito à Cidade, eleita vereadora do Rio de Janeiro no pleito de 2020, também pelo PSOL, sendo a terceira mulher com mais votos.

Viúva de Marielle, Mônica dissemina o legado da ex-esposa na sua ação cotidiana. “Marielle é um símbolo de representatividade, resistência, de luta para as mulheres, sobretudo as mulheres negras, de uma luta antirracista, contra a LGBTfobia. Eu rodei o mundo inteiro cobrando Justiça das autoridades, para que respondam quem os mandou matar, e para que levam a julgamento os executores. É uma luta muito dura, dolorosa, porque é diariamente reviver e relembrar a tragédia que atravessou as nossas vidas. Sem dúvida nenhuma isso foi uma coisa que me colocou em outro lugar politicamente, e a decisão de vir candidata veio com muita escuta dessas pessoas que acreditavam que o projeto pode melhorar o Rio de Janeiro, que o mandato pode voltar a dar esperança para as pessoas nessa cidade”, declarou em entrevista à Carta Capital.

Cria da Maré

Complexo da Maré, maior conjunto de favelas do Rio de Janeiro e um dos maiores centros populacionais do país, formado por 16 comunidades, numa extensão de 800 mil metros quadrados, em que vivem cerca de 140 mil pessoas

“Olhando os dados do Censo, é alarmante como um espaço pode ser tão negligenciado pelo Estado, e não só pela Política de Segurança. O desconhecimento que muitos moradores têm sobre quais são seus direitos também é preocupante, muitos acham que não podem reclamar de coisas – como moradia e saneamento básico – por morar na favela”.

O depoimento de Joelma de Souza sobre o levantamento censitário feito pela organização Redes da Maré é emblemático de como aquele território escancara a perversidade do Estado orientado na lógica do favorecimento de concentração de riqueza e produção de vulnerabilidades em larga escala.

Os indicadores sobre educação sustentam a denúncia de Joelma: a taxa de analfabetismo dos moradores da Maré é de 6%, mais que o dobro da cidade (2,8%); 37,6% da população mareense completou apenas o Ensino Fundamental; quase 20% dos adolescentes entre 15 e 17 anos estão fora da escola. Apenas 2,4% chegaram ao Ensino Superior.

Na difícil batalha entre a importância de estudar e a necessidade de trabalhar cada vez mais cedo para contribuir na renda da família, Marielle Franco foi uma dessas poucas cidadãs da Maré que conseguiram cursar uma faculdade.

Do pré-vestibular comunitário, Marielle foi aprovada na graduação em Ciências Sociais na PUC Rio. Com bolsa integral do início ao fim do curso, Marielle e outra colega eram as únicas mulheres negras do departamento.

Anos depois, a seleção e conclusão do mestrado em Administração Pública na Universidade Federal Fluminense, com a dissertação que apenas o título – UPP: a redução da favela a três letras” – era uma demonstração do seu compromisso com a vida e a dignidade das mulheres, homens, meninas e meninos que resistem nas favelas cariocas.

A própria vida como inspiração

Antes de ingressar na PUC, Marielle se tornou mãe aos 19 anos. Esse é outro fato que revela como Marielle era uma expressão real do local em que nasceu e foi criada: 56% das mulheres com até 29 anos do Complexo da Maré são mães. E como a própria Marielle disse: “ser mãe na favela não é fácil”.

Se viva estivesse, Marielle sentiria orgulho de Luyara Santos, sua única filha, estudante na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que leva as ideias e mensagens da mãe para todas as partes do mundo através do Instituto Marielle Franco, uma “organização sem fins lucrativos, criada pela família de Marielle, com a missão de inspirar, conectar e potencializar mulheres negras, LGBTQIA+ e periféricas a seguirem movendo as estruturas da sociedade por um mundo mais justo e igualitário”, conforme consta no site oficial.

A maternidade ainda jovem, para Marielle, foi um impulso para a sua luta em defesa das mulheres negras e demais segmentos em situação de vulnerabilidade socioeconômica. “Isso me ajudou a me constituir como lutadora pelos direitos das mulheres e debater esse tema nas favelas”, escreveu certa vez no site do seu mandato.

Além da maternidade, a própria existência enquanto mulher, negra, bissexual, socialista e de favela contribuiu para a definição da trajetória de Marielle. Também ainda na juventude, Marielle teve uma amiga da Maré morta por uma das incontáveis balas perdidas que atingem as “peles alvo”, como canta Emicida, no Rio de Janeiro.

Uma voz contra os poderosos do Rio

Essa trajetória alcançou um patamar mais expressivo quando Marielle decidiu disputar as eleições municipais de 2016. Em depoimento à BBC Brasil, o vereador Tarcizio Motta, ex-colega de Marielle na Câmara do Rio, disse que “Ela se lançou candidata em 2016 motivada pela necessidade de que as mulheres estejam na política, pela necessidade de combater o racismo, para mostrar que uma mulher negra e favelada pode e deve ocupar os espaços de poder”.

Pois foi o chão de onde veio e a sua própria história de vida que guiaram a (curta) atuação parlamentar de Marielle. Para além dos 16 projetos de lei que apresentou em apenas 13 meses de mandato, quase todos com foco em políticas públicas para mulheres, população negra e LGBTQIA+, Marielle incomodava os poderosos.

No período do assassinato da vereadora do PSOL, o Rio de Janeiro, que atravessava uma escalada de violência, estava sob intervenção federal na área da Segurança Pública, algo que Marielle acompanhava de perto, já que assumiu, no final de fevereiro, a relatoria da comissão criada na Câmara do Rio para monitorar a intervenção.

Uma das formas de Marielle expressar a sua defesa dos direitos humanos e denunciar os abusos do Estado era através das redes sociais.

Na semana antes de ser assassinada, compartilhou que policiais do 41º Batalhão da Polícia Militar, no Irajá, teriam agido com truculência na comunidade de Acari, “aterrorizando e violentando moradores”. Na mesma publicação ela disse que “o que está acontecendo agora em Acari acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior”.

Dias depois, na véspera do crime que tirou a sua vida, Marielle protestou contra a morte de mais um jovem na cidade. “Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja”. Na postagem, a vereadora questionou: “quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”.

Um dia depois, era a própria Marielle que morria. Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, Antônio Franco, pai, demonstrou não ter dúvidas sobre a motivação do crime: “só tinha uma maneira de calar a minha filha: é o que eles fizeram com ela. Porque se eles não matassem, ela ia alçar voos mais altos. Ela ia chegar muito mais longe”.

Logo após o assassinato de Marielle, as redes sociais de Norte a Sul do país foram inundadas com conteúdos mentirosos que atentavam contra a biografia da vereadora. A título de exemplo, uma pesquisa feita pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP (Universidade de São Paulo), com respostas de 2.520 pessoas a um questionário online mostrou que 1.145 pessoas disseram ter recebido variações de textos dizendo que Marielle era ex-mulher do traficante Marcinho VP e que havia engravidado dele aos 16 anos, ou, em menor quantidade, uma foto que supostamente mostrava Marielle sentada no colo de Marcinho VP (não eram ela nem ele na imagem).

Emblemática neste sentido foi a mensagem postada por Marília Castro Neves, desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: “a questão é que a tal Marielle não era apenas uma ‘lutadora’, ela estava engajada com bandidos” Foi eleita pelo Comando Vermelho e descumpriu ‘compromissos’ assumidos com seus apoiadores”.

No último dia 03 de março, Marília Castro Neves foi absolvida pelo Superior Tribunal de Justiça da ação penal de calúnia por esse comentário. A decisão escancara que Marielle não teve o “privilégio” de morrer apenas uma vez.

Enquanto isso, prestes a completar três anos do assassinato da cria da maré que virou semente, algumas perguntas seguem necessárias: Quem mandou matar Marielle? Quanto tempo será preciso para que o caso seja completamente solucionado? Quantas pessoas mais serão assassinadas por denunciar os poderosos?

Para saber mais sobre a vida e a história de Marielle Franco

Sementes: Mulheres pretas no poder

Dirigido por Éthel Oliveira e Júlia Mariano, o longa metragem acompanha, escuta e revela quem são algumas das mulheres negras na política brasileira, sobretudo as que conquistaram espaço após o assassinato de Marielle.

Link: www.youtube.com/c/EmbaubaFilmes/vídeos

Respeitem a nossa dor

Minidocumentário que relembra os atos de moradores da comunidade carioca em homenagem a Marielle.

Link: https://www.youtube.com/watch?v=Fd6qz2_zYnE

A Voz de Marielle

Filme que conta parte da trajetória de Marielle Franco, a partir de uma entrevista concedida por ela à pesquisa “Emergência Política na América Latina” do Instituto Update.

Link: http://maranha.com.br/portfolio/a-voz-de-marielle/

UPP: a redução da favela a três letras

Dissertação de Marielle Franco sobre a política de segurança pública no Rio de Janeiro.

Link: https://bdtd.ibict.br/vufind/Record/UFF-2_cb9b1f2357cfc51dafe5fabead0084f2

Instituto Marielle Franco

Site do Instituto criado pela família de Marielle como forma de manter viva a sua memória e história.

Link: https://www.institutomariellefranco.org/

A Verdade sobre Marielle Franco

Site que reúne algumas das ações de Marielle quando vereadora e desmente conteúdos falsos que circulam pelas redes sociais a seu respeito

Link: https://www.mariellefranco.com.br/averdade

WikiFavelas

Página colaborativa que reúne informações sobre a vida de Marielle Franco, publicadas por organizações de defesa dos direitos humanos

Link: https://wikifavelas.com.br/index.php?title=Marielle_Franco

Fuente: Jubileu Sul Brasil

Joaquin Piñero provou que o sonho da comunicação popular é possível

Joaquin foi um dos principais responsáveis pela criação do Brasil de Fato em formato tablóide no Rio de Janeiro (RJ)

Vivian Virissimo
Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) |

Ao fundo, Joaquín posa com a equipe do Brasil de Fato RJ em 2019 – Brasil de Fato RJ

A sexta-feira (12) amanheceu mais triste com a notícia da despedida de Joaquin Piñero, apaixonado militante das causas sociais e da luta pela comunicação popular.

Joaquin foi um dos principais responsáveis pela criação do Brasil de Fato em formato tablóide na cidade do Rio de Janeiro, iniciativa pioneira do campo popular e que foi lançada posteriormente em diversas capitais do país.

:: Joaquin Piñero: MST perde um incansável companheiro de luta pela classe trabalhadora ::

Um projeto extremamente ousado que distribuiu, de graça, milhares de exemplares de jornais para a classe trabalhadora. O objetivo era mostrar uma visão popular do Brasil e do mundo, radicalmente diferente da apresentada pelo monopólio da imprensa brasileira.

No início, em maio de 2013  – ou seja, às vésperas das manifestações de junho de 2013 – , chegou a ter 100 mil exemplares distribuídos gratuitamente, sobretudo para os passageiros que chegavam de trem ou metrô na Central do Brasil.

Tal iniciativa só havia sido concretizada pela esquerda no Rio de Janeiro em períodos ditatoriais, jamais em tempos democráticos, e Joaquin trabalhou duro para realizar esse feito.

Antigo sonho do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o jornal gratuito lançou a esquerda no grande desafio de sair da sua bolha e dialogar diretamente com a classe trabalhadora.

Nunca foi fácil a escolha dos temas e do tom a ser usado para debater as ideias de esquerda com uma linguagem mais próxima do povo. Para isso, Joaquin e os demais conselheiros e conselheiras se revezam para fazer o exercício da análise da conjuntura e também na elaboração de editoriais sobre pautas da semana.

O projeto prosperou e chegou a ter duas edições semanais, uma na segunda-feira e outra na quinta-feira, dias escolhidos não à toa, mas para contemplar os resultados das partidas de futebol na contracapa – uma forma de iniciar a prosa sobre as pautas da semana com a perspectiva da esquerda.

Porém, em diversos momentos o projeto cambaleou com períodos de suspensão de circulação devido aos custos de impressão e passou a centrar sua produção jornalística na internet.

A última edição impressa do jornal circulou em fevereiro de 2020 logo após a decretação da pandemia. Ao longo desses anos, o jornal resistiu com apoio de sindicatos de trabalhadores petroleiros e também da Prefeitura de Maricá.

Joaquin escrevia semanalmente e de forma disciplinada sobre a conjuntura na América Latina em sua coluna que era publicada no jornal, reproduzida na internet e locutada para o programa de rádio do Brasil de Fato, veiculado de segunda a sexta-feira na rádio Band AM por mais de um ano.

Muitas vezes escrevia nas madrugadas, direto da Escola Florestan Fernandes, após as aulas dos cursos de formação ou também de países da América Latina em função de suas viagens em missões internacionalistas representando o MST.

Mas se engana quem pensa que a participação de Joaquin nos projetos de comunicação se restringia ao Brasil de Fato RJ. Antes disso, participou da construção do Brasil de Fato em formato standard, fundado em 2003, do jornal Sem Terra, da Agência Notícias do Planalto (ANP) e mais recentemente do CPMídias. Também colaborou regularmente com diversos veículos da América Latina, sobretudo a Telesur da Venezuela.

No Brasil de Fato RJ, Joaquin sonhou junto com os saudosos militantes Vito Gianotti, Alvaro Neiva e Mario Augusto Jakobskind criar um veículo de comunicação para expressar os anseios e demandas da classe trabalhadora.

Testemunhei os grandes esforços e sacrifícios realizados pelo MST e pela Consulta Popular para colocar esse projeto nas ruas e só tenho a agradecer a honra de ter tido a chance de sonhar e também de ter certeza que um projeto popular de comunicação é possível.

Joaquin, presente!

*Vivian Virissimo é jornalista e atuou como editora na fundação do Brasil de Fato RJ de 2013 até 2020.

Edição: Leandro Melito

Fuente: Brasil de Fato

América Latina y el Caribe en la búsqueda de un horizonte emancipador

No solo es Paraguay: Haití también experimenta una nueva ola de protestas y demandas contra las nuevas formas del autoritarismo de facto.

La novedad por estas horas es la movilización popular en Paraguay, uno de los territorios habitados con una población empobrecida, sea por la historia corta o larga. Historia larga remite a la guerra de la triple alianza, desatada por la entente entre Uruguay, Brasil y Argentina entre 1864 y 1871, contra el intento más interesante de desarrollo autónomo en el marco de la lucha contra la “colonialidad” de entonces.

La independencia y autonomía como proyecto, más allá de su posibilidad de materialización, devino en subordinación y condicionamiento cultural de la población asentada en territorio de los guaraníes al orden capitalista. Pero también debe sumarse a ese registro la guerra del Chaco entre Bolivia y Paraguay, que data de 1932-35. Son casi 70 años (1864 a 1935) marcados a fuego por dos guerras devastadoras en términos de vidas y condicionante de las formas de organización económica, social y política.

Más grave aún, cuando en la historia corta, no tan corta, tenemos la dominación de la dictadura de Stroessner entre 1954 y 1989, la que se proyecta en el presente gobierno constitucional del Paraguay. Este presente está asociado al “golpe parlamentario” en junio del 2012 al gobierno de Fernando Lugo (2008 a 2012). El principal objetivo del golpe fue restablecer el poder oligárquico en el gobierno del Estado nacional, y así despejar los obstáculos de un gobierno crítico a las políticas hegemónicas. El gobierno Lugo concentró años de protestas y organización popular, que con sus luchas habilitó la posibilidad de un gobierno que generó expectativas en todo el Cono Sur de la región. Ese intento por articular un proyecto alternativo encontró la respuesta del poder local, mundialmente articulado, para restablecer el orden. Esas fuerzas que dieron sustento a ese breve interregno de búsqueda de alternativa es lo que hoy se manifiesta en las calles, sin un eje articulador de proyecto socioeconómico para el futuro cercano y más allá. Se trata de un abigarrado movimiento sociopolítico con fuerte raíz en la tradición cultural de esa historia larga comentada.

Paraguay importa por su carácter de país empobrecido por su élite y sus vecinos y aquellas confrontaciones de la historia que deben ser cerradas sobre la base de un proyecto compartido y común que recoja la tradición originaria y la emancipadora contra el colonialismo y el imperialismo. Es más, la provincia argentina vecina al Paraguay, Formosa, también se encuentra en estas horas movilizada y en protesta contra el orden económico y político. En la provincia argentina existe menos articulación popular alternativa que en Paraguay, y por eso es la oposición macrista, la que intenta, oportunismo mediante, disputar la representación de la protesta para recuperar esferas de gobierno. No lo logra porque la complicidad política asocia a gobernadores radicales y peronistas en todo tiempo constitucional, siendo alternadamente oposición u oficialismo. En Formosa u otras provincias argentinas, como en Paraguay se juegan dos planos de la discusión. Uno remite a la ofensiva política de las “derechas” y sus dependencias de la estrategia intervencionista, ejemplificada en todos los “golpes”, de viejo o nuevo tipo, financiados y pensados desde la política exterior de EEUU. Otro nos lleva a la estructura económico social asentada en un patrón primario exportador subordinado al agro-negocio dominado por las transaccionales de la alimentación y la biotecnología, que se complementa con negocios ilegales.

No solo es Paraguay, ya que, con su especificidad, Haití experimenta una nueva ola de protestas y demandas contra las nuevas formas del autoritarismo de facto. Es algo que hoy se manifiesta en la extensión temporal autodefinida del gobierno, más allá de cualquier legalidad y sostenido por la represión. La violencia represiva es lo común a considerar ante los levantamientos que pongan en discusión el futuro del orden social, sea en Paraguay, Argentina, Haití o en cualquiera de los territorios de Nuestramérica. Recientemente, las protestas en Chile desafiaron el orden constitucional, legado de la sangrienta dictadura que plantó el tiempo originario de eso que ahora llamamos “neoliberalismo” en todo el planeta y que aún en crisis continúa dando letra del rumbo a seguir, con liberalizaciones diversas y ajustes que golpean a los sectores de menores ingresos.

La búsqueda no es nueva y como sostenemos, tiene historia larga y corta. A lo lejos reaparece cada tanto el proyecto de la “patria grande”, derrotado a manos de burguesías locales que privilegiaron sus negocios asociados al capital externo y al imperialismo emergente a fines del Siglo XIX. Más cerca y a comienzos de este Siglo XXI el objetivo retomó en fuerzas sociales y políticas que imaginaron un nuevo tiempo para un proyecto emancipador de carácter regional. Ese imaginario fue golpeado por los golpes de Honduras, Paraguay, Brasil o Bolivia, pero también por cambios devenidos en las urnas, los que se manifestaron en Argentina (2015) y luego Brasil (2018), incluso ahora, contradictoriamente, en Bolivia (2021). En las elecciones sub-nacionales recientes, la “derecha” boliviana mostró su capacidad de consenso electoral más allá del fracaso del golpe y el consenso para el retorno del MAS al gobierno del país andino. En el medio de este relato largo o corto aparece la demanda por el socialismo, inaugural en el pensamiento y acción del amauta José Carlos Mariátegui y muchos otros en los 20/30 del Siglo XX y materializadas con la revolución cubana a mediados del XX, la que sostiene el proyecto estratégico pese a las dificultades del bloqueo y las sanciones del poder mundial, especialmente desde EEUU.

Entre el proyecto de la patria grande o la aspiración socialista cubana se puede resolver un imaginario de horizonte concreto para el presente y futuro de la región latinoamericana y caribeña. Más allá de los límites de los diversos procesos nacionales en la región, ellos inspiran expectativas esperanzadas para recomponer un proyecto viable de transformaciones del orden económico y social para el “vivir bien” o el “buen vivir” al que nos convocan las constituciones boliviana y ecuatoriana, de reciente factura y que pueden alumbrar un camino en el marco de la oscuridad de la convergencia de la crisis sanitaria y económica en curso.

Por: Julio C. Gambina

Profesor de Economía Política en la Facultad de Derecho de la Universidad Nacional de Rosario. Presidente de la Fundación de Investigaciones Sociales y Políticas

Ilustración: A la memoria de Eduardo Galeano de Fiestoforo.

 

Fuente: Radio Temblor