Lei Maria da Penha avança, mas não coíbe alta de crimes contra mulher


O Brasil registrou 1.463 feminicídios em 2023, alta de 1,4% em relação a 2022, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública – Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Por Daniella Almeida – Agência Brasil

Lei nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, foi sancionada há exatos 18 anos, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O nome homenageia a biofarmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes que sofreu duas tentativas de homicídio pelo marido, em 1983, e se tornou ativista da causa do combate à violência contra as mulheres.

A lei, que atinge agora a maioridade, prevê a adoção de medidas protetivas de urgência para romper o ciclo de violência contra a mulher e impedir que o agressor cometa novas formas de violência doméstica, seja ela física, moral, psicológica, sexual ou patrimonial.

Antes da lei, este tipo de violência era tratado como crime de menor potencial ofensivo. A diretora de Conteúdo do Instituto Patrícia Galvão, Marisa Sanematsu, aponta que muitas mulheres foram agredidas e assassinadas em razão da leniência contra esses crimes, que ficavam impunes ou sujeitos a penas leves, chamadas de pecuniárias, como o pagamento de multas e de cestas básicas, suavizadas por argumentos como o da legítima defesa da honra de homens.

“As agressões contra mulheres eram tratadas como uma questão menor, um assunto privado, a ser resolvido entre quatro paredes. Quando a justiça era acionada, a violência doméstica era equiparada a uma briga entre vizinhos a ser resolvida com o pagamento de multa ou cesta básica”, relembrou Marisa Sanematsu.

A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, avalia que a lei trouxe ganhos para a sociedade brasileira. “Primeiro, ela tipifica o crime existente: a violência física, a violência psicológica, a violência patrimonial, a violência moral e a violência sexual. E organiza o Estado brasileiro para garantir o atendimento às mulheres”, disse à Agência Brasil.

Como parte das celebrações do aniversário da Lei Maria da Penha, o governo federal estabeleceu o Agosto Lilás como mês de conscientização e combate à violência contra a mulher no Brasil.

Avanços

Para especialistas, entre as principais inovações trazidas pela Lei Maria da Penha estão as medidas protetivas de urgência para as vítimas da violência doméstica e familiar, como afastamento do agressor do lar ou local de convivência, distanciamento da vítima, monitoramento por tornozeleira eletrônica de acusados de violência doméstica, a suspensão do porte de armas do agressor, dentre outras.

Adicionalmente, a lei estabeleceu mecanismos mais rigorosos para coibir este tipo de violência contra a mulher e também previu a criação de equipamentos públicos que permitam dar efetividade à lei, como delegacias especializadas de atendimento à mulher, casas-abrigo, centros de referência multidisciplinares da mulher e juizados especiais de violência doméstica e familiar contra a mulher, com competência cível e criminal, entre outros equipamentos.

A advogada especialista na defesa de mulheres, conselheira do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFemea) e representante dessa organização no Consórcio de Monitoramento da Lei Maria da Penha, Lisandra Arantes, considera a Lei 11.340 como o principal avanço na legislação brasileira para a proteção das mulheres da sociedade brasileira e pela primeira vez, reconhece que a violência motivada pela misoginia, pelo ódio às mulheres, pelas questões de gênero.

“A lei Maria da Penha foi o principal avanço que nós tivemos em termos de proteção à mulher contra a violência. O que não significa que ainda não tenhamos muito pra avançar.”

Números

O avanço na legislação não tem evitado, no entanto, a alta de números de violência contra a mulher. Dados do Conselho Nacional de Justiça sobre a atuação do poder judiciário na aplicação da Lei Maria da Penha revelam que 640.867 mil processos de violência doméstica e familiar e/ou feminicídio ingressaram nos tribunais brasileiros em 2022.

Dados do último Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que todos os registros de crimes com vítimas mulheres cresceram em 2023 na comparação com 2022: homicídio e feminicídio (tentados e consumados), agressões em contexto de violência doméstica, ameaças, perseguição (stalking), violência psicológica e estupro.

Ao longo do ano passado, 258.941 mulheres foram agredidas, o que indica alta de 9,8% em relação a 2022. Já o número de mulheres que sofreram ameaça subiu 16,5% (para 778.921 casos), e os registros de violência psicológica aumentaram 33,8%, totalizando 38.507.

Os dados do anuário são extraídos dos boletins de ocorrência policiais, compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Outro levantamento de fórum aponta que ao menos 10.655 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil de 2015 a 2023.

De acordo com o relatório, o número de feminicídios cresceu 1,4% em 2023 na comparação com o ano anterior e atingiu a marca de 1.463 vítimas no ano passado, indicando que mais de quatro mulheres foram mortas por dia.

O número é o maior número da série histórica iniciada pelo FBSP em 2015, quando entrou em vigor a Lei 3.104/2015 , que prevê o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio e inclui o feminicídio no rol dos crimes hediondos.

A diretora do Instituto Patrícia Galvão sugere ações de enfrentamento mais contundentes. “Os números alarmantes de agressões e feminicídios comprovam a urgência de um pacto de tolerância zero contra a violência doméstica”, diz Marisa Sanematsu.

“Todo feminicídio é uma morte evitável, se o Estado e a sociedade se unirem para enfrentar e denunciar todas as formas de violência que vêm sendo praticadas contra as mulheres.”

Desafios

Apesar de reconhecer os avanços da legislação nestes 18 anos, a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, analisa que entre as dificuldades enfrentadas para implementação efetiva da lei estão a oferta de serviços especializados e profissionais preparados para lidar com novos métodos de violência contra as mulheres.

“Para garantir que ela saia do papel e de fato aconteça, precisamos ter serviços especializados e que o todo do sistema – composto pelo judiciário brasileiro, pela OAB, etc – dê conta de avançar na análise das violências para darmos a garantia do combate à impunidade de agressores, porque isso tem feito com que muitos casos [de violência] retornem.”

Atualmente, país tem dez casas da Mulher Brasileira em operação – Divulgação/Presidência da República

Em atendimento à lei Maria da Penha, o Ministério das Mulheres planeja colocar em funcionamento 40 casas da Mulher Brasileira, em todos os estados e no Distrito Federal. As unidades oferecem atendimento humanizado e multidisciplinar às mulheres em situação de violência. Atualmente, dez casas estão em operação.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aponta no Painel de Monitoramento da Política de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres que, em todo o Brasil, existem apenas 171 varas especializadas e exclusivas para atendimento de mulheres vítima de violência doméstica e familiar.

A conselheira do CFemea Lisandra Arantes aponta que muitos casos de violência doméstica sequer são denunciados e, por isso, a possibilidade de proteção não consegue alcançar as mulheres que não romperam ainda o ciclo de violência.

“Muitas vezes, [a violência] ocorre porque elas têm uma dependência financeira do seu agressor ou estão em uma situação de submissão, não necessariamente relacionada à questão financeira, mas por conta dessa construção patriarcal da sociedade que a gente vive. E elas voltam a viver com seus agressores, nessas situações em que não há medida protetiva, porque não houve uma denúncia, não se buscou a proteção, infelizmente”, lamentou.

Outro fator negativo é a desinformação. Apenas duas, em cada dez mulheres, se sentem bem informadas em relação à Lei Maria da Penha. Os dados são da 10ª edição da Pesquisa Nacional de Violência Contra a Mulher, realizada pelo Observatório da Mulher Contra a Violência (OMV) e o Instituto DataSenado, ambos do Senado.

A radialista Mara Régia, que apresenta o programa Viva Maria, na Rádio Nacional da EBC desde 1981, celebra a luta de Maria da Penha e reconhece os desafios em torno da lei.

“A Lei Maria da Penha é específica para o âmbito doméstico, aquela violência que acontece, em geral, do marido contra a mulher. Sabemos que as resistências à lei são muitas e que, apesar de ter chegado à maioridade, a própria Maria da Penha tem sido muito atacada [nas redes sociais]. Hoje, é um dia de solidariedade a essa mulher que pagou com muita dor e violência sofrida domesticamente. E lembro que uma grande parte das mulheres do Brasil sofre essa violência em casa, todos os dias.”

Futuro

Dezoito anos após a sanção da lei Maria da Penha, organizações feministas, ativistas, parlamentares e pensadoras destacam a importância de uma lei integral de proteção às mulheres em situação de violência de gênero, que inclua novos crimes contra a mulher que surgem, por exemplo, com inovações tecnológicas, como crimes no ambiente virtual.

Desde 2022, o Consórcio Lei Maria da Penha, em parceria com várias organizações de mulheres e feministas, tem debatido a criação de uma lei geral que reconheça e responda a todas as formas de violência contra mulher. Sobre o tema, o consórcio lançou o livro A Importância de uma Lei Integral de Proteção às Mulheres em Situação de Violência de Gênerodisponível na versão online.

A coautora é a advogada feminista Myllena Calasans de Matos, integrante do consórcio e do Comitê Latino Americano e do Caribe para Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem) do Brasil. Em entrevista à Agência Brasil, ela disse que o consórcio tem debatido com organizações de mulheres mecanismos mais eficazes de prevenção e de melhor acesso à justiça para as mulheres.

“Tem sido feita uma reflexão a respeito de uma lei mais ampla, que abarque todas as formas de violência que existiam e outras que têm surgido e, por isso, necessitam também de uma regulação. Uma lei integral de enfrentamento à violência de gênero contra as mulheres, onde vamos buscar diretrizes, objetivos, as responsabilidades dos estados, dos municípios, dos poderes judiciário e legislativo, pensar também em um aparato de mecanismos no âmbito da justiça.”

 

Fuente: Jubileu Sul Brasil

La justicia para Berta Cáceres está en peligro.

El caso Berta Cáceres: En busca de justicia y confirmación de sentencias
El Consejo Cívico de Organizaciones Populares e Indígenas de Honduras (COPINH) continúa luchando por la justicia en el caso del asesinato de Berta Cáceres, destacada líder indígena y defensora de los derechos humanos. A pesar de algunos avances en el proceso judicial, todavía persisten obstáculos que impiden la confirmación de las sentencias para los responsables. A continuación, presentamos un resumen del estado actual del caso y la importancia de garantizar la justicia para la familia Cáceres, el COPINH y todas las víctimas involucradas.

 ¿Ya hay justicia por el asesinato de Berta Cáceres?

El asesinato de Berta Cáceres ha dejado una profunda herida en la lucha por los derechos humanos en Honduras. A pesar de ello, los avances en el caso han sido significativos, y es necesario conocer el estado de situación actual, ya que están en riesgo. En noviembre de 2018, un veredicto histórico condenó a siete hombres por el asesinato de la líder indígena y defensora de derechos humanos. Sin embargo, al día de hoy, la justicia no ha confirmado las sentencias, y desde 2022, esperamos que se confirme la sentencia de uno de los principales responsables, David Castillo.

¿Quiénes están presos por el asesinato de Berta Cáceres?

  • David Castillo: Co-autor del crimen. Empleado de la familia Atala Zablah y ex-Director ejecutivo de la empresa DESA, propiedad de la familia Atala. Cumplió el rol de mediador entre quienes ordenaron el crimen y quienes lo ejecutaron, participando en los hechos de planificación y ejecución.
  • Sergio Rodríguez: Co-autor del crimen. Gerente del área social, ambiental y de comunicaciones de DESA. Mantenía informado al grupo “Seguridad PHAZ” (Proyecto Hidroeléctrico Agua Zarca) sobre las acciones de protesta del COPINH y los movimientos de Berta Cáceres. Proveyó la información que identificó a Berta Cáceres como objetivo de la empresa.
  • Douglas Bustillo: Co-autor del crimen. Jefe de seguridad de DESA en 2015. Coordinó directamente con los sicarios y con David Castillo el atentado y asesinato. Tomó fotos de la casa y del vehículo de Berta en operativos de vigilancia previos y necesarios para el asesinato.
  • Mariano Díaz Chávez: Co-autor del crimen. Oficial de las fuerzas especiales hondureñas y coordinador de la red sicarial. Se encargó de ubicar a las personas que ejecutarían el asesinato junto a Douglas Bustillo y coordinó las acciones para la realización del atentado. Proveyó un arma para realizar el crimen.
  • Miembros del grupo sicarial que asesinó a Berta Cáceres: Se movilizaron a La Esperanza para realizar el asesinato el 2 de marzo, en coordinación con Douglas Bustillo, quien se comunicaba con la parte superior de la estructura criminal:
  • Henry Javier Hernández Rodríguez
  • Elvin Heliberto Rapalo Orellana
  • Edilson Atilio Duarte
  • Óscar Aroldo Torres Velásquez

¿Por qué está en peligro la justicia por el asesinato de Berta Cáceres?

A pesar de los avances logrados en el caso, la justicia aún no ha afirmado definitivamente las sentencias para los responsables del asesinato de Berta Cáceres. Es fundamental comprender los obstáculos que impiden este paso crucial. En noviembre de 2018, siete hombres fueron declarados culpables del asesinato de Berta Cáceres. Entre ellos se encontraban Douglas Geovanny Bustillo, Mariano Díaz Chávez, Sergio Ramón Rodríguez Orellana, Elvin Heriberto Rápalo Orellana, Edilson Atilio Duarte Meza, Oscar Aroldo Torres Velásquez y Henry Javier Hernández Rodríguez.

Las defensas de los siete condenados presentaron el recurso de casación, una herramienta legal que permite impugnar una sentencia ante un tribunal de mayor jerarquía. Este recurso se utiliza para revisar si se cometieron errores de derecho en el proceso judicial. El caso de David Castillo, quien fue hallado culpable en 2021 y sentenciado en 2022, también enfrenta la falta de confirmación de su sentencia.

Es imprescindible que se confirme la sentencia y se brinde justicia a la familia de Berta Cáceres, al COPINH y a todas las víctimas involucradas en este caso. La sociedad hondureña espera con urgencia la confirmación de las sentencias como un paso crucial hacia la justicia plena.

Desde el COPINH continuamos luchando por la justicia y la memoria de Berta Cáceres, una incansable defensora de los derechos humanos. Es necesario mantener la presión y la solidaridad para garantizar que la justicia prevalezca y que se ponga fin a la impunidad en este caso emblemático.

 La demora en resolver y su impacto en las víctimas

Es importante resaltar que el tiempo transcurrido desde el inicio del proceso ha alcanzado un punto crítico, y la demora en resolver el caso está teniendo un impacto significativo en las víctimas y en la búsqueda de justicia. La tardanza en resolver este caso emblemático envía un mensaje preocupante a nivel nacional e internacional. Se pone en duda la capacidad del sistema de justicia hondureño para actuar de manera efectiva y garantizar el cumplimiento de los derechos fundamentales.

Un llamado a la Sala de lo Penal de la Corte Suprema de Justicia

Ante la prolongada demora en resolver el caso Berta Cáceres, desde el Consejo Cívico de Organizaciones Populares e Indígenas de Honduras (COPINH) hacemos un llamado a:

– La Corte Suprema de Justicia presidida por la magistrada Rebeca Ráquel, para que confirme las sentencias ya emitidas.  

– Al Ministerio Público (Fiscalía) para que realice las capturas y enjuiciamiento de todas las personas responsables.

– Al Congreso Nacional, presidido por Luis Redondo, y al poder ejecutivo, presidido por Xiomara Castro, para que realicen los cambios normativos y de política pública para que se garantice la justicia, reparación, verdad y garantías de no repetición para todas las víctimas, comunidades indígenas y personas defensoras de los territorios, por los crímenes cometidos.

La memoria de Berta Cáceres, su legado como defensora de los derechos humanos y su incansable lucha merecen un cierre inmediato, para honrar su memoria.

Justicia para Berta Cáceres: No Más Impunidad


 

Fuente: COPINH

Comunidades bajo el agua: la crecida del mar amenaza con desaparecer tierras costeras del mapa

  • El aumento del nivel del mar, causado por la crisis climática, desplaza a miles de personas en América Latina. Mientras tanto, el calentamiento del planeta continúa batiendo récords de temperatura: junio pasado fue el mes más caluroso registrado en el mundo. 
  • Adaptarse al cambio climático y combatir sus consecuencias es urgente, pero las comunidades afectadas por la erosión costera en Panamá, Colombia, Puerto Rico, Guatemala y México ven con angustia que eso no ocurre. Por el contrario, la falta de información, la inacción de las autoridades y las decisiones a corto plazo que podrían empeorar el panorama a futuro son la constante. 

“Ese miedo al futuro que ustedes sienten cuando escuchan sobre el cambio climático, nosotros lo estamos viviendo”, dice Aurea Sánchez Hernández,  habitante de la comunidad de El Bosque, en el estado Tabasco, en México, donde el océano se ha tragado más de 500 metros de playa y ha derribado cerca de 70 casas.

Como ella, desde hace tiempo, científicos y líderes alrededor del mundo se esfuerzan por convencer a los tomadores de decisiones y ciudadanos del planeta que la crisis climática no es un problema del futuro. “El cambio climático ya está aquí. Es aterrador y es sólo el principio”, dijo el secretario general de la Organización de las Naciones Unidas, António Guterres, cuando en julio del año pasado la Organización Meteorológica Mundial (OMM) informó que se estaba viviendo el mes más caluroso jamás registrado. Ni Guterres ni la OMM en ese momento sabían que un nuevo récord se alcanzaría en junio de 2024.

Las olas de calor, las inundaciones y las sequías cada vez más extremas, los incendios forestales y los ciclones tropicales que se intensifican rápidamente, son noticia cada año. El aumento del nivel del mar, otra de las consecuencias de la crisis, amenaza a numerosas comunidades costeras alrededor del mundo.

Según la Organización Internacional para las Migraciones (OIM), tan sólo en 2022 casi 32 millones de nuevos desplazamientos internos ocurrieron por peligros relacionados con el clima. La cifra podría aumentar a 216 millones de personas hacia el 2050 si no se adoptan acciones climáticas específicas.

leyenda: tan sólo en 2022 casi 32 millones de nuevos desplazamientos internos ocurrieron por peligros relacionados con el clima. Foto: Isabel Mateos

En la comunidad de Aurea Sánchez Hernández, que fue el hogar de más de 200 personas, hoy sólo quedan 12 familias. En Colombia, miembros de una comunidad indígena wayúu de La Guajira también viven desplazados, lejos de su tierra, porque el mar no deja de avanzar. En Panamá, ya comenzó el traslado a tierra firme de toda la población de una isla que se proyecta quedará sumergida bajo el agua. En Puerto Rico, el aumento en el nivel del mar y el incremento en la fuerza de los ciclones tienen en vilo a todo un municipio. En Guatemala, el océano avanzó una noche y se tragó varias tumbas y féretros del cementerio de Iztapa. Los ataúdes se perdieron entre las corrientes y un olor fétido cubrió la playa durante semanas.

Una alianza periodística de Mongabay Latam con Vorágine, Plaza Pública y el Centro de Periodismo Investigativo de Puerto Rico indagó todos estos casos. Los periodistas viajaron a los sitios impactados, hablaron con sus habitantes, con científicos, autoridades y también con los que partieron, empujados por los embates de las olas y que hoy añoran, en otros pueblos, sus vidas frente al mar. “Nosotros somos lo que ustedes llaman desplazados climáticos”, dicen los que tuvieron que irse.

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Junio 2024: el mes más caluroso de la historia

Junio pasado fue el mes más caluroso registrado en el mundo. Así lo confirmó la Organización Meteorológica Mundial (OMM) en su último informe donde, además, precisó que, de acuerdo con datos del Servicio de Cambio Climático Copernicus de la Unión Europea, la temperatura media global ha sido 1,5 °C superior a la de la era preindustrial durante 12 meses consecutivos.

La información es alarmante. Por primera vez, aunque aún de manera temporal, el planeta supera el umbral establecido en el Acuerdo de París que es, justamente, impedir que la temperatura global aumente por sobre los 1,5 °C, con respecto a los niveles que había antes de que iniciara la revolución industrial. No superar esa brecha es fundamental para evitar que los impactos de la crisis climática se intensifiquen aún más y la Tierra continúe siendo el lugar que conocemos y habitamos hoy.

Aumento mensual de la temperatura superficial global por encima de los niveles preindustriales. Fuente: OMM

De hecho, a inicios de este año, la OMM advirtió que el 2023 fue el año más cálido jamás registrado. Según dijo, la temperatura media mundial alcanzó los 1,45 ºC por encima de los niveles preindustriales. Con el correr de los meses, las cifras se incrementaron y a juzgar por los últimos reportes, es posible que el 2024 alcance un nuevo récord.

“Las últimas cifras lamentablemente ponen de relieve que superaremos el nivel de 1,5 °C de forma temporal y con una frecuencia cada vez mayor, mensualmente”, dijo la secretaria general de la OMM, Celeste Saulo. La situación es preocupante, aunque Saulo destacó que ello no significa que sea imposible alcanzar la meta propuesta en el Acuerdo de París.

“Perder el objetivo del 1,5 °C implica que se supere ese umbral por un período prolongado y eso no ha ocurrido”, asegura la climatóloga colombiana Paola Arias, profesora de la Escuela Ambiental de la Universidad de Antioquia.

Las altas temperaturas de los últimos meses, explican los expertos, se deben en gran medida a la conjunción de dos factores: el cambio climático, provocado por el incremento de las concentraciones de gases de efecto invernadero en la atmósfera que provocan la retención de calor, y un episodio de El Niño. “Los últimos tres años, entre 2020 y 2023, habíamos estado en condiciones de La Niña”, que corresponde a la fase fría del fenómeno climático natural conocido como El Niño-Oscilación del Sur. “El Niño —que corresponde a la fase cálida de ese fenómeno— llegó para 2023-2024. Eso es algo que ha tenido mucho que ver con las altas temperaturas”, explica Arias.

Por primera vez, aunque aún de manera temporal, el planeta supera el umbral establecido en el Acuerdo de París. Fotos: Edwin Bercián

Debido a que gran parte de ese calor —el 90%— es absorbido por los océanos, una de las consecuencias que ha traído el aumento de la temperatura es, precisamente, el calentamiento del mar. Eso ha provocado, entre otras cosas, un aumento en su nivel global.

De hecho, según la OMM, el nivel del océano alcanzó en 2023 un máximo histórico. El organismo precisa que en la primera década del registro por satélite —entre 1993 y 2002— la tasa de aumento del nivel del mar era de 2,13 mm anuales. Esa tasa, en los últimos 10 años —entre 2014 y 2023—, pasó a ser de 4,77 mm anuales.

Detrás de este fenómeno hay principalmente dos razones, asegura Carlos del Castillo, jefe del Laboratorio de Ecología Oceánica del Centro de Vuelo Espacial Goddard de la Nasa: por un lado, las elevadas temperaturas están derritiendo el hielo sobre la tierra, añadiendo más agua al océano; por otro, “cuando el agua se calienta, se expande y ocupa más volumen”, explica el científico.

Según la Nasa, desde 1880, el nivel del mar global ha aumentado 20 centímetros lo que “no es poco, es bastante”, dice del Castillo. Además, para el 2100, se proyecta que aumente entre 30 y 122 centímetros más. “Cuando ya estamos hablando de 30 centímetros, eso se transporta tierra adentro significativamente. Cuando uno derrama un vaso de agua, el agua no se queda derramada ahí, en el mismo sitio, sino que se expande, ese es el problema”, explica el experto.

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Más información para la toma de decisiones

Monitorear el aumento en el nivel del mar no es tarea fácil, sobre todo porque no ocurre de manera homogénea a lo largo y ancho de todo el globo. “El océano es sumamente complejo”, dice del Castillo, entre otras cosas porque no es un elemento estático. “La Tierra gira sobre su eje y eso mueve agua de un lugar a otro”.

Para observar el aumento del nivel del mar, la Nasa ha elaborado diferentes herramientas que, además, permiten a la población no científica hacer seguimiento de la situación. En una de ellas, un mapa muestra puntos azules distribuidos en todo el mundo. Cada uno de esos puntos corresponde a estaciones de monitoreo que los científicos han instalado. Al pinchar sobre ellos, la herramienta arroja los milímetros que, en promedio, aumenta anualmente el océano en ese lugar.

En Luisiana, Estados Unidos, cerca de la desembocadura del río Misisipi, el aumento del nivel del mar supera los ocho milímetros al año, muy por encima del promedio mundial. El jefe del laboratorio de ecología oceánica de la Nasa asegura que, en ese caso puntual, se trata de una combinación del aumento en el nivel del mar con el hundimiento del terreno debido, en gran parte, a que el río Misisipi está canalizado. “Cuando los ríos se canalizan, se eliminan las inundaciones estacionales que normalmente ocurren cuando llueve mucho. Esas inundaciones depositan sedimentos sobre el terreno que le añaden altura a la tierra, por lo que eliminarlas contribuye a que el terreno se vaya hundiendo”, explica el experto.

Mapa de la Nasa que muestra el aumento del nivel del mar

Del Castillo no conoce ningún caso en América Latina donde la cifra sea tan alta como en Luisiana, sin embargo, eso no quiere decir que no exista. El problema, precisa, es que como se ve en los mapas de la Nasa, en América del Sur hay apenas siete estaciones de monitoreo, mientras que en América del Norte hay más de 70. “Es trágico”, dice, porque sin información “no se pueden tomar medidas y establecer políticas públicas adecuadas”.

En Guatemala, proyecciones globales de Climate Central —una organización que reúne a científicos que investigan e informan sobre los efectos y las soluciones del cambio climático— indican que para el año 2100, las áreas que rodean el Lago de Izabal y las costas del Pacífico quedarán totalmente cubiertas por agua. Una de esas zonas costeras es Iztapa, donde el océano avanzó una noche de mayo del año pasado sobre el cementerio del pueblo y dañó estructuras, lápidas, cruces y tumbas completas.

Sin embargo, saber qué está pasando exactamente en Guatemala requiere de mucha más información. “El problema es que no nos hemos dado a la tarea de medir en el territorio ese incremento (del nivel del agua). Ahora solo nos estamos basando en proyecciones globales que nos dicen, con datos de otras partes del mundo, cómo se proyecta el incremento del nivel del mar”, explica Pilar Velásquez, bióloga especialista en investigación y manejo de ecosistemas marinos costeros y adaptación al cambio climático.

Lo que sí se sabe es que hay varias “acciones locales”, como las llama el doctor en Ciencias y Tecnologías Marinas e investigador del Instituto de Ingeniería de la UNAM, Alec Torres Freyermuth, que propician la aceleración de la erosión. Entre ellas están la destrucción y deforestación de las dunas costeras por la construcción de carreteras, de viviendas o de puertos que funcionan como diques y retienen la arena que en forma natural debería llegar a otro sitio.

En América del Sur hay apenas siete estaciones de monitoreo, mientras que en América del Norte hay más de 70. Foto: Edwin Bercián

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Soluciones que terminaron en más problemas

En diferentes países de Latinoamérica hay personas que han debido desplazarse de sus comunidades debido a la erosión costera. En algunos de esos casos, los expertos señalan obras de infraestructura que han provocado sinergia con el aumento del nivel del mar, acelerando e intensificando sus impactos.

Así pasó en Colombia, cuando siete espolones de más de 100 metros de largo se instalaron frente a Riohacha, la capital del departamento de La Guajira, en 2007. La obra logró frenar el avance del mar justo frente a las playas donde se levantó, pero redirigió la fuerza del oleaje hacia las comunidades costeras ubicadas al suroeste. “Mejoraron un problema para la ciudad pero lo empeoraron para los pobres del campo”, dice Clarena Fonseca Uriana, indígena wayúu, líder de la comunidad Twuliá, desde donde cinco familias han debido desplazarse. El mar se ha tragado árboles, casas y lanchas.

Es por eso que en Puerto Rico, la solución de construir dos rompeolas para evitar que algunos barrios del municipio de Arecibo desaparezcan bajo el mar, genera preocupación.

La geóloga Maritza Barreto Orta, quien lleva más de 25 años estudiando las playas en Puerto Rico, sostiene que la erosión costera que mantiene en jaque a Barrio Obrero, en Arecibo, se debe al desvío del oleaje que provocó la construcción de un muelle con paredes de piedra en el siglo pasado, y que se ha complicado con la crisis climática que ha recrudecido en décadas recientes.

Obras de infraestructura que han provocado sinergia con el aumento del nivel del mar. Foto: Jorge Ramírez Portela

Un análisis de imágenes satelitales muestra que en la comunidad mexicana El Bosque, en Tabasco, el territorio ha experimentado un continuo retroceso en la línea de costa desde, al menos, el año 2015.

Cientos de personas han debido abandonar sus hogares. “Deme una buena noticia, dígame que con un muro o con alguna obra nosotros podemos salvar a la comunidad”, le dijo Guadalupe Cobos, una de las pocas personas que todavía resiste los embates del mar en el Bosque, a Lilia Gama, investigadora de la Universidad Juárez Autónoma de Tabasco. “Fue triste decirles que no había manera de salvar a la comunidad”, contó Gama. “Estas estructuras, con el tiempo, resultan ser más perjudiciales y aumentan la erosión costera”, explica el doctor Alec Torres, doctor en Ciencias y Tecnologías Marinas e investigador del Instituto de Ingeniería de la Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM).

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La importancia de diseñar estrategias integrales

La Organización Internacional para las Migraciones advierte que los desplazamientos debido a la elevación del nivel del mar no sólo se deben a la pérdida de viviendas, sino a problemas de seguridad alimentaria. Y es que la intrusión de agua salada en los territorios puede también afectar a las fuentes de agua dulce y la producción de alimentos en tierra.

Pero, además, los alimentos que el propio mar provee también pueden verse afectados. “Muchos organismos dependen de la profundidad del mar. Si estás aumentando la profundidad, estás cambiando el ecosistema de esos organismos y como consecuencia puede haber un efecto negativo en ellos”, explica del Castillo.

Sumado a eso, agrega el experto, el aumento del nivel del mar viene asociado con una mayor temperatura y acidez del agua, y una mayor intensidad de las marejadas. Los arrecifes de coral, por ejemplo, que son hábitat de una enorme cantidad de especies que a su vez proveen de alimento a muchas comunidades costeras, son particularmente susceptibles a todos estos impactos.

“Cuando tú combinas todas estas cosas que tienen la misma causa, que es el cambio climático, el resultado es que definitivamente los ecosistemas se pueden degradar y se están degradando. No es un problema aislado, son varias cosas al mismo tiempo, aunque la causa es esencialmente la misma”.

El aumento del nivel del mar viene asociado con una mayor temperatura y acidez del agua, y una mayor intensidad de las marejadas. Foto: Luis Alberto Ángel Saavedra

Por otra parte, los científicos aseguran que aún si dejáramos de emitir hoy mismo gases de efecto invernadero, el calentamiento continuará dándose por miles de años y por ende el nivel del mar seguirá subiendo. La razón, explica Arias, es que “una molécula de dióxido de carbono permanece en la atmósfera por el orden de un siglo”, así que “hay una inercia en el sistema”.

Es por eso que hoy los esfuerzos no sólo deben estar destinados a mitigar el cambio climático, sino también a adaptarse a las nuevas condiciones.

“Tenemos que incrementar nuestras capacidades para convivir con la nueva realidad climática, fortalecer a las comunidades para que sean más resilientes y que puedan enfrentar estas nuevas realidades”, dijo Rodney Martínez, representante de la OMM para Norteamérica, Centroamérica y el Caribe. “No podemos sentarnos a esperar que los impactos nos den un baño de realidad. Hay que diseñar políticas públicas que permitan la gestión de recursos para que los gobiernos municipales, las organizaciones comunales y actores locales se involucren y sean parte de la solución”.

Según la OMM, en 2023 el aumento de capacidad de energía renovable se disparó casi un 50% respecto a 2022, ascendiendo a un total de 510 gigavatios (GW), “lo que representa el mayor ritmo observado en las dos últimas décadas”.

También existen ejemplos concretos exitosos de adaptación. En América Latina son numerosas las iniciativas en las que comunidades se han organizado para restaurar los ecosistemas y de esa manera aumentar su resiliencia a los eventos climáticos extremos.

No obstante, a pesar de estas acciones, los retos que tiene América Latina en adaptación son enormes. Bien lo saben los habitantes de El Bosque, que llevan más de cinco años librando una lucha para conseguir ser reubicados o Clarena Fonseca, la líder wayúu que se ha encargado de medir ella misma, con una cinta amarilla, la erosión costera en su comunidad, para reunir información que movilice a las autoridades.

Pero hay algo más que es fundamental, aseguran los expertos. Las decisiones que se adopten para enfrentar la crisis en un espacio puntual no pueden hacerse a costa de la destrucción de otro lugar. “Muchas veces estas estrategias se plantean con una visión muy corta, de hacer algo en lo inmediato, pero sin considerar realmente lo que eso implica”, dice Arias.

La decisión en Panamá, por ejemplo, de tumbar el bosque de un área protegida para reubicar a 300 familias impactadas por el aumento del nivel del mar, preocupa a los especialistas. Para Raisa Banfield, presidenta de la organización ecologista Panamá Sostenible, las soluciones no consisten en “tapar un error con otro error”.

*Imagen Principal: El aumento del nivel del mar, causado por la crisis climática, desplaza a miles de personas en América Latina. Foto: Isabel Mateos

Este reportaje es parte de una alianza periodística entre Mongabay Latam, Vorágine, Plaza Pública y el Centro de Periodismo Investigativo. 

 

Fuente: Mongabay

BOLETÍN: Un año desde el triunfo de la consulta popular a favor de dejar el crudo bajo tierra y detener la explotación petrolera en el Yasuní

Compartimos el boletín N°5. Agosto, mes de la memoria del extractivismo en el que se cumple un año desde el triunfo de la consulta popular a favor de dejar el crudo bajo tierra y detener la explotación petrolera en el Yasuní. Entrevistamos a Alex Rafalowicz, director del Tratado de No Proliferación de los Combustibles Fósiles, quien ha trabajado durante 15 años como analista político, activista, organizador y estratega en favor de la justicia climática.

Además, la NAWE organizará una cumbre internacional por el Yasuní este 28, 29 y 30 de agosto en Puyo, en la que se buscará desarrollar un Plan de Acción Post Consulta Popular para proteger el Yasuní y el territorio Waorani, promoviendo alternativas al extractivismo.

Descargar Boletín:

ECOS DEL YASUNI – BOLETIN N05 – 31_07_2024

Fuente: Accion Ecologica

ALERTA: Estrategia de Integridad para las Organizaciones de la Sociedad Civil pone en riesgo la labor de personas defensoras

La Estrategia de Integridad para las Organizaciones de la Sociedad Civil expedida por el gobierno el 8 de julio de 2024 restringe el derecho de asociación y pone en riesgo la labor de personas defensoras

El 8 de julio de 2024, el Registro Oficial publicó el Acuerdo Ministerial No. PR-SGIP-2024-0002-A, mediante el cual se expide la Estrategia de Integridad para las Organizaciones de la Sociedad Civil (OSC) y Organizaciones No Gubernamentales (ONG), reguladas por el Decreto Ejecutivo No. 193 de 23 de octubre de 2017. Esta Estrategia fue diseñada sin la participación de las organizaciones a las que afecta, generando preocupación y rechazo entre la sociedad civil. Por ello, las organizaciones firmantes demandamos su derogatoria inmediata.

Además, alertamos a la comunidad internacional y a los órganos de protección de derechos sobre esta normativa, que representa una amenaza al derecho de asociación en Ecuador.

Más información:

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ALERTA- ESTRATEGIA DE INTEGRIDAD PARA ORGANIZACIONES DE LA SOCIEDAD CIVIL.PDF

 

Fuente: Accion Ecologica

¡Solidaridad con los pueblos originarios atacados por las milicias agroindustriales!

Teia dos Povos expresa su solidaridad real y radical con los pueblos originarios que están siendo atacados en los estados de Mato Grosso do Sul, Paraná y Rio Grande do Sul en julio. 

En los últimos días, los pueblos Kaiowá y Guaraní de la Tierra Indígena Panambi Lagoa Rica, en Douradina (MS), han sido rodeados por sicarios y una masacre es inminente*. La Asamblea Guaraní Kaiowá se pronunció diciendo que no aceptará salir de su territorio original aunque esto represente una masacre ejecutada por ruralistas con la connivencia del Estado y el Poder Judicial. 

En Paraná, 8 comunidades del pueblo Avá Guaraní (550 personas) están en riesgo de ser embargadas tras una decisión del juez João Paulo Nery, el mismo que la semana pasada prohibió a la Funai entregar alimentos en las zonas de recuperación. Estas reanudaciones se encuentran en territorios ya reconocidos por el Estado brasileño como tradicionalmente ocupados por pueblos indígenas y en proceso de demarcación. En los últimos días hemos tenido varios reportes de quemas de vegetación, ataques con armas de fuego y secuestros. Los campesinos incluso amenazan a agentes del Ministerio de los Pueblos Indígenas y de la Fundación Nacional del Indio (Funai). 



En Rio Grande do Sul, fueron atacadas la tiera reconquistada Fág Nor del pueblo Kaingang y la aldea Mbya Guarani Tekoa Pekuruty . La reconquista de Paramirim , llevada a cabo por el pueblo Anacé, también fue blanco de ataques. También se registraron registros en comunidades de Pará 

Según un informe del Consejo Indígena Misionero (CIMI), 13 comunidades indígenas sufrieron ataques armados por parte de agricultores en Brasil en julio. 



Estos casos no son aislados. El asedio de los matones agrícolas es un movimiento de milicias organizadas en la agroindustria y debe combatirse por todos los medios. Estos ataques en Mato Grosso do Sul, Paraná y Rio Grande do Sul siguen la misma lógica criminal que el Movimiento Invasión Cero, que asesinó a Nega Pataxó en Bahía en enero. 

Estos ataques se sustentan en la lentitud del Ejecutivo en la demarcación de las tierras indígenas y en la connivencia del Estado, que no enfrenta directamente a este movimiento criminal -que publica videos de los ataques en las redes sociales, se articula, muestra públicamente todo racismo y violencia colonial , sin cualquier temor de punición. Hay informes de que cuando la Fuerza Nacional y la Policía Federal responden a llamadas de indígenas en Mato Grosso do Sul, no registran ni se acercan a los agricultores. Por el contrario, en el citado caso de Nega Pataxó, en Bahía, la Policía Militar permitió el asesinato. Muchos yagunzos son policías retirados.



Este movimiento de milicias ruralistas que actúa abiertamente y con impunidad demuestra que no existe un Estado democrático de derecho para los pueblos indígenas. Se trata de un movimiento criminal financiado por el Estado brasileño (400 mil millones de reales del Plan Safra para el agronegocio). Esta es una faceta del fascismo que vivimos actualmente vinculada al colonialismo histórico que asola al pueblo. 



El poder judicial también contribuye a los ataques a través de posturas como la denunciada anteriormente, por el juez João Nery; con mandatos judiciales de recuperación que sirven sólo a los intereses de los agricultores y desconocen la violencia colonial que expulsó a los pueblos indígenas de sus territorios ancestrales; con la postura de Gilmar Mendes, ministro que aún relativiza la inconstitucionalidad del Marco Temporal. 

En el Congreso Nacional, los diputados y senadores que integran el Frente Parlamentario Invasión Cero son agentes directos del genocidio indígena. La vigencia de la Ley 14.701/2023 y la PEC 48 legalizan el Marco Temporal, [que determina que los pueblo indígena sólo tendrán derecho a reivindicar un territorio que ya ocupasen antes de la Constitución de 1988, tesi esa que desconsidera, primero, que todo Brasil era indígena, según, que muchos indígenas fueron despojados violentamente de sus territorios y apenas lograron retornar a ellos, pese a inúmeros ataques, después de 1988] una tesis jurídica colonialista ya considerada inconstitucional por el Supremo Tribunal Federal y que fomenta ataques a recuperaciones y territorios ya establecidos. El 5 de agosto, fecha de la primera sesión de conciliación programada por el STF sobre el Marco Temporal, los pueblos indígenas deberán movilizarse nuevamente en todo Brasil para frenarlo.


Es necesario denunciar enérgicamente el asedio que se está ejerciendo sobre las retomas y los ataques a los pueblos originarios. La extrema derecha, el agronegocio, las milicias y grupos de exterminio, las multinacionales que controlan el aparato estatal, toda esa gente está muy bien organizada y tiene en sus manos los poderes ejecutivo, legislativo y judicial para legitimar sus crímenes contra la población.

Estos no son los primeros ni serán los últimos ataques. Para enfrentar el asedio capitalista y colonial se necesita mucha organización de nuestra parte. Esto significa unirse a los territorios atacados, fortalecer los grupos de base y difundir el llamado a esta lucha colectiva, contra el Marco Temporal y por la demarcación de los territorios indígenas.

Ahora es el momento de encontrar formas de intensificar las alianzas entre los pueblos y clases oprimidos, entre los pueblos indígenas, los quilombolas, los negros, los residentes de las favelas, los movimientos sociales que luchan por la tierra y la vivienda, los movimientos de resistencia de las comunidades urbanas, los grupos feministas, los disidentes de sexo y género, personas con discapacidad, personas neurodivergentes y otros aliados.

Necesitamos unirnos en solidaridad directa y radical con los territorios originales que han sido perseguidos. Porque la amenaza a estos territorios es una amenaza a la continuidad misma de la vida en el planeta. Que escuchemos los llamados revolucionarios de nuestro tiempo, para que, más allá de las palabras, podamos encontrar acciones colectivas reales y materiales hacia el levantamiento del pueblo.

* El masacre se concreto, como era anunciado. Aqui un cacho del reportaje de Brasil de Fato, del 5 de agosto, sobre el tema:

Finqueros realizan dos ataques armados y hieren a 11 indígenas en MS: ‘segura aún van atacar más veces’, advierte liderazgo Kaiowá

Dos ataques de finqueros en poco más de 24 horas dejaron 11 indígenas Guaraní Kaiowá heridos el pasado fin de semana, en Douradina (MS). Dos de ellos en estado grave, con disparos de arma de fuego en la cabeza y el cuello. La tensa situación no ha disminuido y, según indígenas entrevistados por Brasil de Fato este lunes (5), furgonetas de ruralistas están alineadas y se acercan, una vez más, a la área reconquistada de Yvy Ajere.

La tragedia era ampliamente esperada desde mediados de julio. Fue advertido por indígenas, por movimientos populares, por la prensa, en reuniones con órganos judiciales y gubernamentales y por los propios ruralistas con amenazas publicadas en las redes sociales. Todavía sucedió. Y, según Humberto*, el liderazgo Kaiowá debe continuar.

 

Fuente: Desinformemonos