Jubileo Sur Américas se suma a la accion global #JusticiaParaBerta

Hoy 2 de diciembre se dio lectura a la sentencia del primer juicio contra los autores materiales del asesinato de nuestra compañera Berta Cáceres, desde Jubileo Sur/Américas consideramos que la impunidad no termina con la sentencia. Seguimos expresando nuestro respaldo y solidaridad con la lucha del COPINH, exigiendo justicia para Berta.

A 45 meses de su siembra, Berta hermana, seguirás siendo un símbolo de lucha y esperanza para los que hoy continúan defendiendo la vida, la naturaleza, apostándole a ese otro mundo posible con justicia y dignidad.

¡La lucha sigue, BERTA VIVE VIVE!

#JusticiaParaBerta
#CastigoAlosAtala

O golpe na Bolívia e seus reflexos na América Latina | Entrevista com Sandra Quintella

Por Instituto Pacs

A saída de Evo Morales do cargo da presidência da Bolívia, no dia 10 de novembro, decorrente de uma ordem de prisão considerada ilegal por parte da Polícia e das Forças Armadas bolivianas após protestos e denúncias de fraude na votação, foi um golpe cívico e político contra a democracia. Junto com ele, que estava no poder desde 2006, renunciaram também o vice-presidente Álvaro García, a presidente do Senado, Adriana Salvatierra, o vice-presidente do Senado, Rubén Medinacelli, e o titular da Câmara dos Deputados, Víctor Borda.

Bandeira Wiphala, símbolo do Estado Plurinacional Boliviano, que faz referência à organização da sociedade dos povos originários andinos | Foto: Reprodução

Em entrevista, Sandra Quintela, economista, educadora popular, integrante da Coordenação América Latina e Caribe da Rede Jubileu Sul e vice-presidenta do Instituto Pacs, explica o contexto do golpe na Bolívia e de que maneira isso pode afetar o Brasil, além de abordar as semelhanças dos cenários políticos atuais dos países latinoamericanos.

Como você vê a realidade da América Latina hoje?

O que acontece em algum país da América Latina tem reflexo em toda a região. Então, estamos vivendo em 2019, 30 anos das políticas neoliberais mais duras, desde o chamado Consenso de Washington concomitante à queda do Muro de Berlim. São políticas que priorizam os interesses privados e não os públicos, destinando recursos do orçamento público para o capital privado e tirando do social, através dos chamados ajustes fiscais. Nos anos 2000, a América Latina deu uma freada nessas políticas neoliberais , através de um ciclo político que elegeu governos progressistas como Evo Morales na Bolívia, Hugo Chávez na Venezuela, Cristina Kirchner na Argentina e Lula no Brasil. Significou políticas sociais que permitiram um combate às consequências dessas desigualdades na primeira década do século 21. Porém, a gente sofreu um retrocesso nesses últimos anos na Argentina, no Paraguai, no Chile, no Equador, agora na Bolívia e no Brasil. Vivemos uma década de violência sobre a América Latina e Caribe.

Quais são as características contemporâneas de um golpe em pleno 2019? E quais as diferenças e semelhanças dos golpes civis militares empresariais anteriores?

A gente vem acompanhando outros golpes na América Latina e no Caribe, desde 2004, com o golpe no Haiti; 2009, em Honduras; 2012, no Paraguai; 2016, aqui no Brasil; e agora em 2019, na Bolívia. Cada um desses golpes vai apresentando um perfil, uma característica. Esse na Bolívia foi um golpe de outro tipo, com a presença de policiais e dos neopentecostais, o que é uma novidade na região. Já há uma certa instabilidade política na Bolívia desde 2016, em fevereiro, quando foi feito um referendo para questionar a população se concordava ou não numa candidatura pela quarta vez de Evo Morales, o que não é nenhum problema efetivamente. Angela Merkel, por exemplo, é primeira-ministra na Alemanha desde 2005. Foi feito o referendo e ele não deu vitória ao Evo Morales e recorreu ao Supremo Tribunal Eleitoral, que a partir daí sim reconheceu que ele poderia se recandidatar. Iniciou-se um processo de tentativa de desestabilização do governo e com as eleições, a diferença entre ele e o segundo colocado foi muito pequena. O presidente Morales já tinha concordado em convocar o segundo turno e chamar novas eleições, mas isso não foi suficiente. Além disso, nós sabemos que a maior reserva de gás da América Latina está na Bolívia. Então, uma série de fatores que estão por trás do golpe são também os interesses por recursos. Há também nuances muito claras de racismo nas elites brancas bolivianas. Tudo isso caracteriza o golpe na Bolívia. Sempre por trás desses golpes tem um interesse econômico ou de grupos que querem hegemonizar o controle territorial. No caso de Honduras, o golpe foi feito para a introdução do agronegócio em grande escala, grandes plantas energéticas, as hidrelétricas — e por trás disso o assassinato de Berta Cáceres. Aqui no Brasil foram os interesses sobre Petrobras, a indústria do petróleo e do pré-sal, que na minha opinião são fundamentais pra entender o alicerce do golpe de 2016.

E a relação e proximidades entre o contexto conservador na Bolívia e no Brasil?

Temos uma América Latina em ebulição, com Haiti, Panamá, Honduras, Equador, Chile nas ruas… E agora a Bolívia sofreu esse golpe de característica muito violenta. Esse é um país que tem uma maioria de mulheres nos ministérios, no judiciário, no parlamento, nas lideranças comunitárias, nas prefeituras… O primeiro governo que reconhece o governo golpista é o brasileiro, ou seja, há indícios muito fortes da questão ideológica de desestabilizar os governos de centro-esquerda, até porque o projeto político deles é de acabar com a esquerda a qualquer custo. Os reflexos são: a situação se agravar e justificar o endurecimento de repressão e aparatos policiais maiores; um possível apoio militar brasileiro a Bolívia, por conta da fronteira; e um cenário de legitimação cada vez maior nessa realidade de impunidade q vivemos hoje no Brasil. Há indícios de envolvimento do governo brasileiro com o golpe na Bolívia, então é toda uma discussão geopolítica que está em questão. Nós, brasileiros, temos dificuldade de pensar a América Latina como parte orgânica e fundamental do que é a nossa política, história, economia e sociedade nesse contexto mais amplo, já que o Brasil sempre se coloca de forma isolada por causa do seu tamanho, mas as nossas histórias são muito similares.

Como relacionar os processos políticos do campo progressista a nível regional com a liberdade do Lula? Você vê alguma relação?

A saída do Lula mexe no tabuleiro de xadrez que vive a política brasileira. Cada peça que se move, move todo o jogo, implica na estratégia de todo o jogo. A saída do Lula muda essa estratégia. Temos que pensar se isso vai caminhar para uma polarização ainda maior ou para uma ofensiva deles ainda maior, para que a gente possa se organizar também. Foi no mesmo dia a saída do Lula da prisão e a saída do Evo do cargo. Eu não vejo uma relação direta nisso especificamente, eu vejo uma relação direta da reunião do comando militar de manha em Brasília, no dia 10 de novembro, e a tarde a saída do Evo. Em relação ao Lula, como o Bolsonaro aposta na desestabilização, a questão pra refletir é até que ponto essa saída pode contribuir pra esse cenário de polarização.

 

Fuente: Jubileu Sul Brasil

El golpe en Bolivia y sus reflejos en América Latina | Entrevista con Sandra Quintella

Publicado el 02/12/2019

Por Instituto Pacs

La salida de Evo Morales de su cargo el 10 de noviembre como resultado de una orden de arresto considerada ilegal por la policía y las fuerzas armadas bolivianas tras las protestas y acusaciones de fraude electoral, fue un golpe cívico y político contra la democracia. Junto a él, que había estado en el poder desde 2006, también renunciaron el vicepresidente Álvaro García, la presidenta del Senado Adriana Salvatierra, el vicepresidente del Senado Rubén Medinacelli y el presidente de la Cámara de Representantes Víctor Borda.

Bandeira Wiphala, símbolo do Estado Plurinacional Boliviano, que faz referência à organização da sociedade

dos povos originários andinos | Foto: Reprodução

Sandra Quintela, economista, educadora popular, miembro de la Coordinación de la Red Jubileo Sur Américas en Latinoamerica y el Caribe y vicepresidenta del Instituto Pacs, explica el contexto del golpe en Bolivia y cómo puede afectar a Brasil, así como las similitudes de los actuales escenarios políticos en los países latinoamericanos.

¿Cómo ve la realidad de América Latina hoy?

Lo que sucede en algunos países de Latinoamérica se refleja en toda la región. Así que estamos viviendo en 2019, 30 años de las más duras políticas neoliberales, desde el llamado Consenso de Washington concomitante con la caída del Muro de Berlín. Se trata de políticas que priorizan los intereses privados más que los públicos, asignando recursos del presupuesto público al capital privado y alejando de lo social, a través de los llamados ajustes fiscales. En la década del 2000, la América Latina detuvo estas políticas neoliberales a través de un ciclo político que eligió gobiernos progresistas como Evo Morales en Bolivia, Hugo Chávez en Venezuela, Cristina Kirchner en Argentina y Lula en Brasil. Significaba políticas sociales que permitieron luchar contra las consecuencias de estas desigualdades en la primera década del siglo XXI. Sin embargo, en los últimos años, la gente ha sufrido un revés en Argentina, Paraguay, Chile, Ecuador, ahora Bolivia y Brasil. Estamos viviendo una década de violencia en América Latina y el Caribe.

¿Cuáles son las características contemporáneas de un golpe de estado en 2019? ¿Y cuáles son las diferencias y similitudes de los anteriores golpes militares civiles corporativos?

Hemos estado siguiendo otros golpes en Latinoamérica y el Caribe desde 2004, con el golpe en Haití; 2009 en Honduras; 2012 en Paraguay; 2016 aquí en Brasil; y ahora en Bolivia en 2019. Cada uno de estos golpes presenta un perfil, una característica. Este en Bolivia fue un golpe de estado de otro tipo, con la presencia de policías y neopentecostales, lo cual es una novedad en la región. Ya existe cierta inestabilidad política en Bolivia desde 2016, en febrero, cuando se celebró un referéndum para cuestionar si la población aceptaba o no una candidatura por cuarta vez para Evo Morales, lo que no es realmente un problema. Angela Merkel, por ejemplo, ha sido Primera Ministra en Alemania desde 2005. El referéndum se llevó a cabo y no le dio una victoria a Evo Morales y apeló al Tribunal Supremo Electoral, el cual reconoció que podía postularse nuevamente.

Se intentó desestabilizar el gobierno y con las elecciones, la diferencia entre él y el segundo lugar fue muy pequeña. El presidente Morales ya había acordado convocar la segunda vuelta y convocar nuevas elecciones, pero eso no era suficiente. Además, sabemos que la mayor reserva de gas de América Latina se encuentra en Bolivia. Por lo tanto, una serie de factores que están detrás del golpe son también los intereses por los recursos. También hay matices muy claros de racismo en las élites blancas bolivianas.

Todo esto caracteriza al golpe de Estado en Bolivia. Siempre detrás de estos golpes hay un interés económico o grupos que quieren hegemonizar el control territorial. En el caso de Honduras, el golpe fue para la introducción de la agroindustria a gran escala, las grandes plantas de energía, las centrales hidroeléctricas y, detrás, el asesinato de Berta Cáceres. Aquí en Brasil estaban los intereses sobre Petrobras, la industria petrolera y el presal, que en mi opinión son esenciales para entender los fundamentos del golpe de estado de 2016.

¿Qué hay de la relación y la proximidad entre el contexto conservador en Bolivia y Brasil?

Tenemos una América Latina en ebullición, con Haití, Panamá, Honduras, Ecuador, Chile en las calles…. Y ahora Bolivia ha sufrido este golpe muy violento. Este es un país que tiene una mayoría de mujeres en los ministerios, en el poder judicial, en el parlamento, como lideresas comunitarias, en los ayuntamientos…. El primer gobierno que reconoce el gobierno golpista es el brasileño, es decir, hay indicios muy fuertes de la cuestión ideológica de desestabilizar los gobiernos de centro-izquierda, entre otras cosas porque su proyecto político es acabar con la izquierda a cualquier precio. Los reflejos son: la situación empeora y justifica el endurecimiento de la represión y de los grandes aparatos policiales; un posible apoyo militar brasileño a Bolivia debido a la frontera; y un escenario de creciente legitimidad en esta realidad de impunidad que estamos viviendo hoy en Brasil. Hay indicios de que el gobierno brasileño está involucrado en el golpe de Estado en Bolivia, por lo que es toda una discusión geopolítica que está en juego. A los brasileños nos resulta difícil pensar en Latinoamérica como una parte orgánica y fundamental de lo que es nuestra política, historia, economía y sociedad en este contexto más amplio, ya que Brasil siempre se encuentra aislado por su tamaño, pero nuestras historias son muy similares.

¿Cómo podemos relacionar los procesos políticos del campo progresista a nivel regional con la libertad de Lula? ¿Ves alguna relación?

La salida de Lula toca el tablero de ajedrez de la política brasileña. Cada pieza que se mueve, mueve todo el juego y implica la estrategia de todo este juego. La salida de Lula cambia esta estrategia. Tenemos que pensar si esto conducirá a una polarización aún mayor o a una ofensiva aún mayor, para que también podamos organizarnos. Fue el mismo día en que Lula fue liberado de la prisión y Evo fue liberado de su cargo. No veo una relación directa en esto específicamente, veo una relación directa con la reunión del comando militar en Brasilia el 10 de noviembre, y la salida de Evo por la tarde. En relación a Lula, como apuesta el Bolsonaro por la desestabilización, la cuestión a reflexionar es hasta qué punto esta salida puede contribuir a este escenario de polarización.

 

Fuente: Jubileu Sul Brasil