Entrevista a Jorge Montijo: 10 anos após o golpe, suas implicações e como afeta toda a região latino-americana

#HONDURAS10AÑOSDELUCHAS
#GOLPEDEESTADO2009
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Jorge Montijo, companheiro porto-riquenho de uma Organização que faz parte da organização Comuna Caribe, membros da Rede Jubileu Sul/Américas, compartilha suas ideias sobre as implicações dos dez anos do golpe em Honduras.

Secretário JS/A: Você considera que este fato produziu mudanças no cenário da região latino-americana? Quais?

Jorge: O golpe em Honduras coincidiu com a política externa do novo governo dos EUA, de manter sua liderança no mundo em geral e na América Latina em particular. Com a repressão de um movimento popular em Honduras através do seu apoio tácito ao golpe, EUA deu sua aprovação à mão forte contra movimentos populares de reinvidicação, bem como contra o jornalismo crítico na região.

É importante ressaltar que as estruturas socioeconômicas que caracterizam o Estado hondurenho nunca permitiram o estabelecimento de uma democracia participativa e popular. Cortando pela raiz os tímidos esforços de democratização propostos pelo governo de Mel Zelaya, EUA deu luz verde às oligarquias dos países vizinhos para que continuassem a manter seu controle de maneira semelhante. Essa política promovida em Honduras afeta toda a região e lança um balde de água fria contra os movimentos mais progressistas de todos os países da América Central e da América Latina. As organizações populares podem ser reprimidas com impunidade, as vozes dissidentes podem ser silenciadas à força, e as oligarquias internas são fortalecidas a serviço dos interesses dos EUA.

E embora tenha sido apontada a desorganização da esquerda hondurenha como uma “causa” da relativa fraqueza das forças populares diante do ataque da direita, é preciso levar em conta que, ao longo de todo o século passado e até agora, EUA  apoiou as oligarquias nacionais, tanto nos massacres genocidas quanto na decapitação seletiva das lideranças da esquerda. Para dar um exemplo próximo a nós no espaço e no tempo, essa política de assassinato seletivo de líderes populares e esquerdistas foi praticada sob o balaguerismo na República Dominicana entre 1966 e 1978, quando toda uma geração de lutadores foi liquidada. Da mesma forma, o assassinato da líder Berta Cáceres ocorreu em Honduras em 2016, além de vários ativistas e jornalistas críticos. Em todos os lugares têm sido mortas as melhores lideranças, tentando prejudicar ao máximo as tentativas de organização e mobilização popular.

Por fim, vale ressaltar que, não apenas em Honduras, o envolvimento da oligarquia com o tráfico de drogas gera um clima de violência generalizada que, juntamente com o desastre climático, promove uma gigantesca onda migratória na região. Se não houver mudança radical nos governos desses países, é previsível que nas próximas décadas haja um aumento exponencial do fluxo de migrantes. A intensificação das políticas anti-migrantes nos países com maior desenvolvimento econômico, neste caso a EUA e até o México, gera a possibilidade de uma grave crise humanitária regional.

Secretário JS/A: Na sua perspectiva, qual é a relação entre o modelo de imposição de golpes e as condições sociais, políticas e econômicas do seu país?

Jorge: Porto Rico é uma colônia clássica sob o domínio da EUA, então esse modelo de golpe não se aplica diretamente a nós. No nosso caso, o “golpe” à nossa suposta soberania limitada sob a chamado Estado Livre Associado de Porto Rico é através de leis aprovadas no Congresso dos EUA. A mais nefasta, sarcasticamente chamada de Lei PROMESA, cria um Conselho de Controle Fiscal eleito pelo Congresso, que, como os Capitães Gerais da colonização espanhola do século XIX, goza de poderes onipotentes sobre o governo de Porto Rico. Enquanto o apoio dos americanos ao golpe de Estado em Honduras é uma intervenção estrangeira disfarçada, em Porto Rico eles desmascaram sua mais importante e lucrativa colônia perante o mundo. Além disso, como é bem sabido, Porto Rico continua a servir como ponta de lança em ataques e intervenções militares contra os povos da América Latina, da América Central e do Caribe.

Secretário JS/A Em sua opinião, qual é o papel das organizações sociais nesses cenários?

Jorge: O grande problema dos movimentos populares em todos os países é a falta de coordenação entre grupos e organizações. Como explicamos na primeira resposta, em muitos dos nossos países as lideranças dos movimentos foram dizimadas pela oligarquia e pelo império. Dizê-lo é chover no molhado, mas os movimentos sociais são obrigados a buscar alianças e pontos de convergência para enfrentar o inimigo comum.

Para conseguir isso, é essencial poder deixar de lado as lutas internas. Como disse Fanon, a opressão colonial gera lutas entre irmãos, o deslocamento horizontal da violência. Fanon era psiquiatra e, infelizmente, os líderes dos movimentos populares e de esquerda tem negação de receber ajuda das ciências do comportamento para minimizar a resistência psicológica à mudança verdadeiramente progressista. Isso contrasta com a disposição das oligarquias e do poder capitalista de usar esse conhecimento para facilitar sua hegemonia.

As organizações populares têm que promover uma cultura de abertura e democracia em seu próprio seio. Só assim as lutas internas podem ser resolvidas de modo satisfatório e pode ser dada uma mensagem mais efetiva à população contra a ideologia hegemônica. Se nos assemelhamos aos nossos opressores assumindo posições autoritárias e antidemocráticas em nossas próprias organizações, ninguém vai querer se juntar à nossa luta.

A presente publicação foi elaborada com o apoio financeiro da União Europeia Seu conteúdo é de responsabilidade exclusiva do Instituto Rede Jubileu Sul Brasil e Rede Jubileu Sul Américas e não necessariamente reflete os pontos de vista da União Europeia. 

Interview Jorge Montijo: 10 Years After the Coup d’état, its implications and how it affects the entire Latin American region

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Jorge Montijo, Puerto Rican fellow of an Organization which integrates COMUNA Caribe, members of Jubilee South/Americas, shares his ideas about the implications of ten years since the coup in Honduras.

Secretariat JS/A: Do you consider that this fact produced changes in the scenario of the Latin American region? What kind of changes?

Jorge: The Coup d’Etat in Honduras coincided with external politics in the new USA government to maintain their leadership of the world in general and particularly in Latin America. With the repression of a popular movement in Honduras through their tacit support of the coup, the USA gave their approval to the strong hand against popular and protesting movements, as well as against the region’s critical journalism.

It’s important to point out that the socioeconomic structures that characterize the Honduran State never allowed the establishment of a popular and participative democracy. By nipping the timid efforts of democratization proposed by Mel Zelaya’s government though a coup, the USA gave the  green light to oligarchy of neighbouring countries to keep  control similarly. This policy promoted in Honduras affects the whole region and hit like a bucket of cold water against the most progressive movements of every country in Central and Latin America. Popular organizations can be repressed with impunity, dissident voices can be silenced by force and internal oligarchies are strengthened at the service of the USA interests.

And although the disorganization of the Honduran Left was appointed as a “cause” for the relative weakness of popular forces against the Right attacks, it is necessary to take into account that, throughout all of the past century until now, the USA has supported national oligarchies both in the genocide massacres as well the selective decapitation of the Left’s leaderships. To give an example closer to us in time and space, this policy of selective murder of popular and leftists leaders was practiced under balaguerism in Dominican Republic between 1966 and 1978, when a whole generation of fighters was liquidated. In the same way, Berta Cáceres is murdered in Honduras in 2016 together with several activists and critical journalists. Everywhere the best leaderships have been killed, trying to harm the attempts to create organized popular mobilizations.

In conclusion, it’s important to point out that not only in Honduras the involvement of the oligarchy with drug trafficking creates a climate of generalized violence that, along with climate disasters promotes a gigantic migration wave in the region. If there isn’t a radical change in the government of these countries, it’s predictable that in the next few decades there will be an exponential increase of migration flow. The resurgence of anti-migrants policies in countries of larger economic development, in this case the USA and Mexico, creates the possibility of a grave humanitarian regional crisis.

Secretary JS/A: In your perspective, what is the relation between the model of coup impositions and the social, political and economic conditions in your country?

Jorge: Puerto Rico is a classic colony under the domination of the USA, so this Coup d’Etat model doesn’t apply directly to us. In our case, the “coup” is our supposed limited sovereignty under the so-called Commonwealth of Puerto Rico, through the laws approved in the Congress of the USA. The most nefarious one, sarcastically named the PROMESA Law, creates a Fiscal Council elected by the Congress, which like the General Captains of Spanish colonization in the 19th Century, has omnipotent powers over the State of Puerto Rico. While the American support in the Honduras Coup d’Etat is a underhanded foreign intervention, in Puerto Rico they unmasked before the world their most important and lucrative colony. Aside from that, as is known, Puerto Rico continues to serve as spearhead in attacks and military interventions against the people of Latin America, Central America and the Caribbean.

Secretary JS/A In your opinion, what is the role of social organizations in these scenarios?

Jorge: The great problem of popular movements in every country is the lack of coordination between the groups and organizations. As it was explained in the first answer, in many of our countries the leaderships of movements have been destroyed by the oligarchy and empire. Saying this is like when it rains it pours, but social movements are obligated to search for alliances and converging points to face their common enemy.

To achieve that, it’s essential to set aside internal struggles. Like Fanon said, the colonial oppression creates struggles within brothers, the horizontal dislocation of violence. Fanon was a psychiatrist and, unfortunately the leaders of popular and leftist movements have an issue of denial when it comes to receiving help from the sciences of behavior to minimize the psychological resistance to truthfully progressive changes. This contrasts with the oligarchy disposition and capitalist power to use this knowledge in order to facilitate hegemony.

Popular organizations have to promote a culture of openness and democracy within themselves. Only this way internal struggles can be resolved in a satisfactory manner and a more effective message to the population against hegemonic ideology can be given. If we assimilate to our oppressors taking on authority and antidemocratic roles in our own organizations, nobody will want to join our fight.

 

This publication has been produced with the financial support of the European Union. The contents of this publication are the sole responsibility of Jubilee South Brazil Institute and Jubilee South / Americas and can in no way be taken to reflect the views of the European Union.

Interview Jorge Montijo: 10 ans après le coup d’Etat, ses implications et son impact sur l’ensemble de la région latino-américaine

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Jorge Montijo, collègue portoricain de l’organisation qui fait partie de l’organisation Comuna Caribe (collectif des femmes noires et d’ascendance africaine), membre du Jubilé Sud / Amériques, nous partage ses perceptions sur les implications de ces 10 ans après le coup d’État.

Secrétaire JS/A Considérez-vous que cet événement a entrainé des changements dans le scénario de la région latino-américaine ? Lesquels ?

Jorge : Le coup d’État au Honduras a coïncidé avec la politique extérieure de la nouvelle administration américaine, celle de conserver sa position de leadership dans le monde et notamment en Amérique latine. Quand les États-Unis ont réprimé un mouvement populaire au Honduras, à l’aide de leur soutien tacite ; ils ont donné leur accord à la main forte contre des mouvements populaires et revendicatifs, et aussi bien contre le journalisme critique dans la région.

Il est important de souligner que les structures socio-économiques qui caractérisent l’état hondurien ont toujours empêché l’établissement d’une démocratie participative et populaire. Les États-Unis ont tué dans l’œuf, à l’aide du coup d’État, les timides efforts de démocratisation proposés par le gouvernement de Mel Zelaya; c’est de cette manière qu’ils ont donné feu vert aux oligarchies des pays voisins afin qu’ils conservent le control de manière similaire.  Cette politique encouragée au Honduras a des retombées négatives sur toute la région, et celle-ci fait un effet d’un seau d’eau froide sur les mouvements les plus progressistes dans tous les pays d’Amérique centrale et d’Amérique latine ; les organisations populaires peuvent être réprimées sans impunité, les voix dissidentes peuvent être tues par la force, et ainsi les oligarchies internes peuvent être consolidées au service des États-Unis.

Et même si l’on a signalé la désorganisation de la gauche hondurienne, comme la « cause » de la faiblesse relative des forces populaires face à l’attaque impétueuse de la droite; il faut  prendre en compte que tout au long du siècle passé et à l’heure actuelle, les États-Unis ont soutenu les oligarchies nationales dans des massacres, des génocides et aussi dans la défenestration sélective du leadership de la gauche; un exemple clair et proche de notre réalité dans le temps et dans l’espace de cette politique de meurtre sélectif de leaders populaires et de gauche, est celle-ci qui a été appliquée sous le gouvernement de Balaguer, en République dominicaine entre 1966 et 1978, anéantissant toute une génération de combattants.

Par ailleurs, en 2016, au Honduras, la leader Berta Cáceres a été assassinée ; de même, plusieurs militants et journalistes critiques ont été assassinés. Bref, dans tous les secteurs, les meilleurs ont été assassinés dans le but d’affaiblir au maximum les tentatives d’organisation et de mobilisation populaire.

Pour conclure, il faut souligner que le Honduras n’est pas le seul pays où l’implication de l’oligarchie avec le narcotrafic engendre un climat de violence généralisée, qui, conjuguée à la catastrophe climatique, entraine une vague géante migratoire depuis la région, donc, il faut un changement radical dans les gouvernements de ces pays. Faute de quoi, le flux migratoire augmentera de manière exponentielle dans les prochaines décennies. La recrudescence des politiques antimigratoires dans les pays économiquement plus avancés. C’est à remarquer que les États-Unis et même le Mexique engendre la possibilité d’une grave crise humanitaire régionale.

Secrétaire JS/A : Selon votre perspective, quel est le rapport entre le modèle d’imposition des coups d’État et les conditions sociales, politiques et économiques de votre pays ?

 Jorge : Porto Rico est une colonie classique sous le domaine des États-Unis, donc, ce modèle de coup d’État ne nous vise pas directement. Dans notre cas, le «coup» sur notre supposée souveraineté limitée par ledit État libre associé à Porto Rico, se développe sous la forme des lois approuvées dans le Congrès des États-Unis. La plus néfaste et sarcastiquement nommée loi PROMESA (promesse, par son sigle en anglais), qui a établi un conseil de surveillance fiscale, élu par ce congrès, lequel jouit de pouvoirs absolus sur le gouvernement de Porto Rico de la même manière qui l’ont fait les capitaines généraux de la colonisation espagnole au XIX siècle.  Si bien le soutien yankee au coup d’État au Honduras est une intervention extérieure dissimulée, à Porto Rico on a démasqué devant tout le monde, sa colonie la plus importante et lucrative. En plus, comme c’est bien connu, Porto Rico continue à être fer de lance contre les attaques et interventions militaires contre les peuples latino-américains, centraméricains et caribéens.

Secrétaire JS/A : Quel est le rôle des organisations sociales dans ces scénarios ?

Jorge : Le grand problème des mouvements populaires dans tous les pays est le manque de coordination entre groupes et organisations. Je reprends la réponse donnée à la première question, dans la plupart de pays le leadership des mouvements a été décimé par l’oligarchie et l’empire ; exprimer cela est enfoncer une porte ouverte, mais les mouvements sociaux ont le devoir de chercher des alliances et des points de convergence afin de faire face à l’ennemi commun. À ce propos, c’est important laisser tomber les luttes internes ; Fanon qui était psychiatre, disait aussi que l’oppression coloniale engendre les luttes fratricides, le déplacement horizontal de la violence. Malheureusement les leaderships des mouvements populaires et de gauche sont réticents à recevoir de l’aide depuis les sciences du comportement pour minimiser les réticences psychologiques, face au changement progressiste. En revanche, on a la disposition des oligarchies et le pouvoir capitaliste à s’en servir de ces connaissances afin de faciliter leur hégémonie.

Les organisations populaires doivent promouvoir une culture d’ouverture et démocratie au sein de ces dernières. C’est la seule manière satisfaisante de résoudre les luttes intestines et aussi bien transmettre un message plus efficace à la population face à l’idéologie hégémonique. Si on ressemble nos oppresseurs, en adoptant des postures autoritaires et antidémocratique, personne voudra rejoindre notre lutte.

 

Cette publication a été préparée avec le soutien financier de l’Union européenne. Le contenu de cette publication est de la seule responsabilité de l’Institut Jubilé Sud Brésil et Jubilé Sud / Amériques et ne peut en aucun cas être pris pour refléter les vues de l’Union européenne.

Entrevista Jorge Montijo: 10 Años Después Del Golpe, sus implicancias y como afecta toda la región latinoamericana

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Jorge Montijo, compañero Puertorriqueño de la organización Comuna Caribe, miembros de la Red Jubileo Sur/Américas, nos comparte sus percepciones sobre las implicancias de los 10 años del Golpe en Honduras.

Secretaria JS/A ¿Considera que este hecho produjo cambios en el escenario de la región latinoamericana? ¿Cuáles?

Jorge: El Golpe de Estado en Honduras coincidió con la política exterior de la nueva administración estadounidense, de mantener su liderazgo en el mundo en general y en América Latina en particular. Al reprimir un movimiento popular en Honduras mediante su apoyo tácito al golpe, EE. UU. Le dio el visto bueno a la mano fuerte contra movimientos populares y reinvidicativos, así como contra el periodismo crítico en la región.

Es importante puntualizar que las estructuras socioeconómicas que caracterizan al Estado hondureño no han permitido nunca el establecimiento de una democracia participativa y popular. Al cortar de raíz mediante el golpe a los tímidos esfuerzos de democratización propuestos por el gobierno de Mel Zelaya , EE. UU. dio luz verde a las oligarquías de los países aledaños para que siguieran manteniendo su control de manera similar.  Esa política promovida en Honduras afecta toda la región y lanza un balde de agua fría contra los movimientos más progresistas en todos los países de Centroamérica y América Latina. Se pueden reprimir con impunidad las organizaciones populares, se pueden acallar a la fuerza las voces disidentes, y se fortalecen las oligarquías internas al servicio de los intereses de EE. UU.

Y aunque se ha señalado la desorganización de la izquierda hondureña como una “causa” de la relativa debilidad de las fuerzas populares ante el embate de la derecha, debe tomarse en cuenta que, a través de todo el siglo pasado y lo que va de este, EE. UU. ha apoyado las oligarquías nacionales tanto en masacres genocidas como en el descabezamiento selectivo del liderato de izquierda. Para dar un ejemplo cercano a nos en espacio y tiempo, esa política de asesinato selectivo de líderes populares y de izquierda se practicó bajo el balaguerismo en República Dominicana entre 1966 y 1978, cuando se liquidó a toda una generación de luchadores. Así mismo se produce en Honduras en 2016 el asesinato de la lidereza Berta Cáceres, sumado al de múltiples activistas y periodistas críticos. En todos lados nos han matado los mejores, tratando de menoscabar al máximo los intentos de organización y movilización popular.

Finalmente cabe comentar que no sólo en Honduras el involucramiento de la oligarquía con el narcotráfico genera un clima de violencia generalizada que, unida al desastre climático, promueve una ola migratoria gigantesca desde la región. De no darse un cambio radical en los gobiernos de estos países es predecible que las próximas décadas vean un aumento exponencial del flujo migratorio. El recrudecimiento de las políticas antimigratorias en los países de mayor desarrollo económico, en este caso EE. UU. y hasta México, genera la posibilidad de una gravísima crisis humanitaria regional.

Secretaria JS/A: Desde su perspectiva, ¿Cuál es la relación con el modelo de imposición de golpes y las condiciones sociales, políticas y económicas de su país?

Jorge: Puerto Rico es una colonia clásica bajo el dominio de EE. UU, así que ese modelo de golpe de estado no nos aplica directamente. En nuestro caso el “golpe” a nuestra supuesta soberanía limitada bajo el llamado Estado Libre Asociado de Puerto Rico se da mediante leyes aprobadas en el Congreso de EE. UU. La más nefasta, sarcásticamente llamada la Ley PROMESA, crea una Junta de Control Fiscal electa por ese congreso, la cual, como los Capitanes Generales de la colonización española del Siglo XIX, goza de poderes omnímodos sobre el gobierno de Puerto RIco. Si bien el apoyo yanki al golpe de estado en Honduras es una intervención exterior solapada, en Puerto Rico desenmascaran ante el mundo a su colonia más importante y lucrativa. Además, como es bien sabido, Puerto Rico sigue sirviendo de punta de lanza en los ataques e intervenciones militares contra pueblos latinoamericanos, centroamericanos y caribeños.

Secretaria JS/A ¿Cuál cree que es el rol de las organizaciones sociales en estos escenarios?  

Jorge: El gran problema de los movimientos populares en todos los países es la falta de coordinación entre grupos y organizaciones. Como expusimos en la Respuesta 1, en muchos de nuestros países el liderazgo de los movimientos ha sido decimado por la oligarquía y el imperio. Decirlo es llover sobre mojado, pero los movimientos sociales están obligados a buscar alianzas y puntos de puntos de convergencia para poder enfrentar al enemigo común.

Para lograr ésto es esencial poder echar a un lado las luchas internas. Como bien decía Fanon, la opresión colonial genera las luchas fratricidas, el desplazamiento horizontal de la violencia. Fanon era psiquiatra, y desafortunadamente los lideratos de los movimientos populares y de izquierda son reacios a recibir ayuda desde las ciencias del comportamiento para minimizar las resistencias psicológicas al cambio verdaderamente progresista.  Eso contrasta con la disposición de las oligarquías y el poder capitalista a valerse de esos conocimientos para facilitar su hegemonía.

Las organizaciones populares tienen que promover una cultura de apertura y democracia en su propio seno. Sólo de esa forma pueden resolverse satisfactoriamente las luchas intestinas y se puede dar un mensaje más efectivo a la población contra la ideología hegemónica. Si nos parecemos a nuestros opresores asumiendo posturas autoritarias y antidemocráticas en nuestras propias organizaciones nadie querrá unirse a nuestra lucha.

 

La presente publicación ha sido elaborada con el apoyo financiero de la Unión Europea. Su contenido es responsabilidad exclusiva del Instituto Rede Jubileu Sul Brasil y Red Jubileo Sur/Américas y no necesariamente refleja los puntos de vista de la Unión Europea.

Interview Giorgio Trucchi: Les processus socio-politiques méso-américains dans le contexte du coup d’Etat au Honduras

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Giorgio Trucchi, correspondant de Rel-UITA pour l’Amérique centrale, est un chercheur et journaliste qui a accompagné les processus sociopolitiques de la région depuis plus de 20 ans.

Il estime que le Coup d’Etat au Honduras n’était pas seulement contre le président Zelaya et à son intention (présumée et jamais prouvée) d’être réélu (la Constitution l’interdit), mais également dirigé contre le processus d’unité et d’intégration latino-américaines et des peuples et son principal Instrument ALBA (dont le Honduras faisait partie). En plus, le Honduras a été un laboratoire qui a permis d’affiner de nouvelles formes de coup d’état non conventionnels et nous l’avons vu dans les années suivantes au Paraguay, au Brésil, en Équateur et en Bolivie (tentatives infructueuses). Des attaques déstabilisatrices contre le Venezuela, Cuba et le Nicaragua ont également contribué au repositionnement politique et militaire des États-Unis dans la région méso-américaine.

Pour Trucchi, il s’agissait de moments très intenses, où il y avait beaucoup de mobilisation et de participation citoyenne, où existait la possibilité pour qu’un peuple, spontanément en résistance, soit capable de faire l’histoire de ses propres mains, et de mettre en place un processus de refondation constitutionnelle. C’est une période où tout était possible et où les organisations de la société civile, les mouvements sociaux, populaires et politiques, les syndicats, les étudiants et la population en général ont su mettre de côté leurs différences et se rassembler autour d’un objectif commun au-delà des intérêts corporatistes. Il considère que c’était une expérience professionnelle et humaine très enrichissante.

Giorgio rappelle que le Honduras était un laboratoire pour étudier et perfectionner de nouvelles formules, moins violentes et moins sanglantes que celles du siècle dernier, afin de faire de renverser des gouvernements qui refusent de s’aligner sur la politique de Washington et qui partageaient et partagent l’idée qu’il existe en Amérique latine la possibilité d’avoir d’autres types de relations et d’échanges politiques, économiques et sociaux entre les nations et les peuples. C’est fondamentalement ce qui a motivé une série d’attaques de plus en plus violentes contre les gouvernements progressistes et de gauche. Au cours de ces attaques ont été perfectionnés les instruments de la criminalisation et de la judiciarisation pour mettre fin à ces expériences prometteuses. Mais c’était aussi le début d’une nouvelle offensive contre les peuples et les mouvements organisés, ainsi que contre les instances internationales telles que Unasur, Celac, Alba, Petrocaribe, qui promeuvent l’intégration et le développement de l’Amérique latine et des Caraïbes, se positionnant comme une alternative au Ministère des Colonies (OEA).

À son avis, les mouvements sociaux continuent de jouer un rôle fondamental en proposant un modèle différent de celui imposé par les forces impériales dans le monde. Au Honduras, après le coup d’État, des mesures extrêmes ont imposé le néolibéralisme, la précarisation du travail, la privatisation et l’extractivisme. On a cherché également à effacer toute tentative de recherche d’un autre modèle dans lequel les organisations sociales et les peuples joueraient un rôle très important dans la défense des terres et des biens communs. Il conclut: « Si aujourd’hui au Honduras on a dû recourir à la fraude électorale, à la corruption et au chantage, à la répression et aux assassinats, comme celui dont a été victime Berta Cáceres, pour rester au pouvoir, c’est parce que le coup d’État a également généré des anticorps importants dans la société et une mobilisation importante au plan politique et social»


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Interview Giorgio Trucchi: The Socio-Political Processes of Mesoamerica in the Context of the Honduras Coup d’État

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Giorgio Trucchi, correspondent for Rel-UITA in Central America, is a researcher and journalist who has followed the sociopolitical processes in the region for over 20 years.

He considers that the Honduras Coup d’Etat wasn’t only a coup against President Zelava and his supposed, albeit never proven intent to be re-elected (the Constitution prohibits reelection), but against the process of unity and integration in Latin America, the peoples and their most important instrument, ALBA (of which Honduras was part of). In addition, Honduras was a Laboratory which served the purpose of fine-tuning new milder coups and so we have seen in the following years in Paraguay, Equator and Bolivia (considered failed attempts), in Brazil and in the destabilizing attacks against Venezuela, Cuba and Nicaragua, which has also contributed to the political-military repositioning of the USA in the Mesoamerican region.

For Trucchi, those were very intense moments of much mobilization and citizenship participation, where it was seen as a real possibility that the people in resistance could spontaneously make history with their own hands, rebuilding a country through a constituent process emerged from the people themselves. Those were months in which everything was possible and civil society organizations, social, popular and political movements, trade unions, students and the population as a whole knew how to put aside their differences and unite for a common objective, shaking national elitist groups. He considers it was an extremely enriching professional and human experience.

Giorgio reiterates that Honduras was a laboratory to study and fine-tune new forms less violent and bloody than those of the past century to perform a Coup d’Etat to governments not aligned with the policies of Washington and also shared and share an idea that in Latin America it is possible to have other kinds of political, economic and social relations and exchange between nations and peoples. This was the beginning of a series of attacks growing stronger against progressive and left governments, where the instruments of criminalization and judicialization have been perfected to end those experiences of exchange. It was also the beginning of a new offensive against the peoples and organized movements, as well as international stances such as UNASUL, CELAC, ALBA, Petrocaribe, which promote the integration and development of Latin America and the Caribbean, positioning themselves as an alternative to the Ministery of Colonies (OEA).

In his opinion, social movements continue to play a fundamental role in terms of proposing a different model than the one imposed by the world’s imperial forces. In Honduras, this has gained depth after the Coup d’Etat since this coup was an extreme measure to impose neoliberalism, labor precariousness, privatization and extractivism, additionally to erase any attempt to search for a new model, where the social organizations and the peoples would perform an extremely important role in defending the land and common goods.

He finishes by saying that: “If in Honduras nowadays they have had to resort to electoral fraud, corruption, blackmail, repression and murders, such as Berta Cáceres to remain in power, it’s because the coup also raised antibodies important in society and a significant mobilization both in the political and social levels.”


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