Violaciones, cólera y 30 mil muertos: conozca el legado de la Minustah en Haití

Acciones del ejército brasileño en el país caribeño terminaron el viernes y son usadas en favelas de Rio de Janeiro

Vanessa Martina Silva

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

Último contingente brasileño en acción en la Minustah, en Cité Soleil - Créditos: Tereza Sobreira
Último contingente brasileño en acción en la Minustah, en Cité Soleil / Tereza Sobreira

Soldados brasileños desembarcaron en el Haití en 2004 para liderar las tropas de diversas naciones en la Misión de Estabilización de las Naciones Unidas (Minustah). El viernes (1), después de 13 años, los soldados regresaron a Brasil y, hasta octubre de este año, todos los militares extranjeros deben salir del territorio caribeño.

La acción de la Minustah dejó para el país un legado de más de 30 mil muertes por cólera, y más de 2 mil víctimas de abusos sexuales, entre otras violencias. En una charla con Brasil de Fato, Guerchang Bastia, del Partido Encuentro Socialista por una Nueva Iniciativa Nacional, consideró la acción Minustah de la ONU como una fuerza de ocupación en el país:

“La Minustah generó mucha violencia contra los estudiantes, contra los pobres que viven en las favelas. Los soldados violaron a las mujeres, a los hombres. Se cometió mucha violencia contra las personas en el país y trajo la epidemia de cólera. Fue un desastre enorme causado por la ONU”, cuenta Bastia.

La epidemia de cólera asoló Haití después del terremoto de 2010, que dejó más de 200 mil muertos en el país. A pesar de las evidencias de que la irrupción del cólera llegó con las tropas de la Minustah, la ONU tardó seis años en reconocer el hecho y disculparse. Para Bastia, el tratamiento es deshumano: “Somos seres humanos, tenemos família, amigos, hijos, esposas. Yo no comprendo lo que ellos hablan. La gente acepta, se disculpa, pero no significa nada para nosotros”.

Los soldados brasileños invadieron una favela en la Cité Soleil, habitada por 200 mil personas y cometieron lo que los haitianos consideran como una masacre. Durante la acción, que es muy criticada, por lo menos 27 civiles murieron, entre ellos, 20 mujeres menores de 18 años.

Bastia cuenta que el episodio es considerado como un ensayo para las acciones comandadas por el ejército brasileño en las favelas de Rio de Janeiro, en Brasil: “Los soldados brasileños mataron a mucha gente en las favelas de Haití. Lo que es comprensible, porque el Brasil tiene muchas favelas, entonces se preparan para luchar contra los pobres y para eso experimentan nuevas estrategias en las favelas de Haití”.

La relación entre la actuación del ejército brasileño en país caribeño y en las favelas de Rio de Janeiro fueron comentadas recientemente por el general Ajax Porto Pinheiro, en entrevista con la radio brasileña CBN. Cuando el periodista de la radio cuestionó al general sobre la posibilidad de aplicar el conocimiento obtenido por los militares en la misión de la ONU, él contestó que las tropas de las Naciones Unidas tienen “un nivel de libertad que no se tiene en Brasil”. Él se refería a la posibilidad de disparar para matar.

En Haití, este escenario de violaciones será denunciado en el Tribunal Popular que organiza acciones en todo el país para denunciar la ocupación, como explica Bastia: “Los tribunales normales son sobre la ley, y la ley es creada por la clase dominante. Las leyes no hablan de las cuestiones más importantes. Por ejemplo, los Estados Unidos destruyeron el medio ambiente en Haití y no hay una ley que hable de eso. El tribunal popular es para el juicio de los temas que no son juzgados en un tribunal común”.

El Tribunal Popular, iniciado en julio, realizará actividades en todo el Haití hasta el 2018. Las denuncias son importantes para mensurar cuántas personas murieron a manos de los soldados de la Minustah, pues no hay ningún balance efectivo de las Naciones Unidas con estas informaciones.

Edición: José Eduardo Bernardes | Traducción: Luiza Mançano

A un Año y medio de Impunidad ¿Donde están los autores intelectuales?

Este 2 de Septiembre todas y todos nos encontraremos en Rio Blanco para seguir demandando una verdadera Justicia que el COPINH a venido Exigiendo al estado de Honduras desde el Asesinato Impune de Nuestra Coordinadora Berta Caceres.
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Tropas brasileiras deixam o Haiti: balanços atuais e históricos

Tropas brasileiras deixam o Haiti: balanços atuais e históricos

Foto: HECTOR RETAMAL/AFP

Tropas brasileiras fizeram intervenção no Haiti por 13 anos. A política externa que parece ser de solidariedade, no entanto, não tem apoio uníssono dos haitianos, e reflete uma postura histórica de invasão estrangeira direcionada ao país com a única revolução de escravizados bem sucedida no mundo.

Consulte qualquer Enciclopédia e indague qual foi o primeiro país livre da América. Encontrarás sempre a mesma resposta: os Estados Unidos. Mas os Estados Unidos declararam sua independência quando era uma nação com seiscentos e cinquenta mil escravos, que seguiram sendo escravos durante um século.

Se você pergunta a qualquer Enciclopédia qual foi  primeiro país que aboliu a escravidão, receberás a mesma resposta: Inglaterra. Mas o primeiro país que aboliu a escravidão não foi a Inglaterra e sim o Haiti, que todavia continua expiando o pecado de sua dignidade4. (Eduardo Galeano em artigo: “Haití, país ocupado”, in Página 12, Buenos Aires, 28 de setembro de 2011.

A Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah) chegou oficialmente ao seu fim na última quinta-feira, 31 de agosto. As tropas brasileiras, no entanto, sairão por completo, na prática, no dia 15 de outubro, quando começará uma nova operação chamada Minujusth (Missão das Nações Unidas para o Apoio à Justiça no Haiti), um programa da ONU que se propõe a auxiliar as instituições haitianas.

Para Miguel Borba, historiador, mestre em Relações Internacionais pela PUC, em Ideologia e Análise de Discurso pela Essex e membro do Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS), a Minustah é “uma intervenção militar e política internacional destinada a garantir um golpe de Estado dado em fevereiro de 2004 no Haiti, contra um presidente democraticamente eleito, Jean Bertrand Aristide”.

Aristide tentou introduzir reformas sociais no Haiti e cobrou judicialmente a França pela dívida externa imposta pelo país no momento de sua independência. De acordo com Borba, a França, Estados Unidos e Canadá foram responsáveis pelo golpe junto com a elite haitiana em troca de mão-de-obra barata e recursos naturais sem a inconveniência de um governo de centro-esquerda, se traduzindo, portanto em um “sequestro da soberania haitiana”.

Leia também: Entre tragédias naturais e instabilidade política, haitianos vão às urnas eleger presidente

As incertezas da missão de paz no Haiti

O capitalismo e o planeta Haiti

A missão surgiu com o pretexto de reduzir a violência do Haiti e estabilizar o país politicamente, no entanto, Borba questiona esse discurso afirmando que o país tinha baixos índices de violência, menores do que em cidades como Baltimore ou a capital dos Estados Unidos, Washington. O historiador afirma ainda que a violência aumentou depois da invasão estrangeira.

As intervenções militares estrangeiras configuram uma tendência histórica direcionada ao país. No intervalo de dez anos, entre 1993 e 2013, houve não menos do que sete missões de intervenção militar enviadas pelas Nações Unidas (ONU) com o apoio da Organização dos Estados Americanos (OEA). “É uma expressão atual do colonialismo e do racismo que constituem as relações entre os centros capitalistas dominantes e as periferias do capitalismo global há pelo menos cinco séculos”, argumentou o membro da PACS.

A Minustah foi liderada pelo Brasil, e refletia o interesse brasileiro em ocupar uma cadeira definitiva no Conselho de Segurança das Nações Unidas, e faria o país se projetar como importante ator internacional. Prevista para durar seis meses, a missão se estendeu por treze anos, gastando anualmente 400 milhões de dólares e atingindo a marca de 37.500 militares brasileiros no país ao longo dos anos.

“Ela durou tanto tempo não tanto por seus êxitos, mas por ser capaz de prolongar seus fracassos e permitir a continuidade de quem se beneficia com isso. As forças armadas brasileiras se reequiparam, muitos oficiais ficaram anos recebendo salários em dólares; as ONGs nem se fala”, afirmou Borba. “É um fracasso para os haitianos e haitianas, mas uma fonte de bons empregos e promoções (nos mundos militar, filantrópico, diplomático, acadêmico) para quem faz carreira passando pelo Haiti”.

Manifestação em Porto Príncipe pede saída das tropas da ONU em fevereiro de 2017. Foto de Miguel Borba.

A missão deixa em sua história uma série de controvérsias. Houve denúncias e cobranças de haitianos por conta da epidemia de cólera iniciada em 2010. Não havia registros da doença no país até então, o que aponta para a contaminação do rio por meio das fezes de soldados nepaleses levados pelas Nações Unidas naquele ano, segundo relatório do epidemiologista Renaud Piarroux. A epidemia vitimou 8 mil pessoas e o caso não levou à indenização por parte da Organização.

Há registro também de ao menos 150 acusações de abuso sexual cometidas pelas tropas da Minustah.

Para o historiador, operações internacionais como essa se beneficiam da exploração da miséria de países periféricos. “Não é coincidência que a MINUSTAH acabe em 2017 junto com a falência do projeto de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) no Rio de Janeiro. Elas são parte de uma mesma política de controle sociorracial sob roupagem discursiva humanitária”.

Borba ressalta ainda que outras intervenções continuarão sendo feitas, “remodelando sempre a mesma política racista e elitista de “segurança pública” em países classificados como “falidos” e cidades ou bairros nomeados como “frágeis”. De fato, a Minustah sai e começa uma nova missão realizada pela ONU, a Minujusth.

É importante frisar que a situação atual do Haiti, em termos políticos, econômicos, está fortemente ligada à história do país, que foi a primeira República negra do mundo. O Haiti foi palco da única revolução negra escrava bem-sucedida na história e foi o primeiro país independente da América Latina. Desde sua independência, em 1804, o país, no entanto é alvo de sucessivas intervenções militares intercaladas por ditaduras violentas.

Embora tenha se tornado independente em 1804, foi apenas em 1862 que o Haiti foi reconhecido como tal pelos Estados Unidos, que, de 1915 a 1934, invadiu o país com intervenções de fuzileiros navais. A resistência formada por uma guerrilha levou a morte de seus líderes. “Não é fácil “estabilizar” 10 milhões de pessoas que conhecem a sua história e sentem orgulho de serem descendentes de Dessalines”, explicou Borba. Dessalines foi um dos líderes da revolução de negros no país e se tornou o seu primeiro governante.

Para Ricardo Seitenfus, Doutor em Relações Internacionais, existe uma incapacidade do Ocidente de “aceitar, compreender e conviver com os princípios que regem a independência traumática do berço dos Direitos Humanos Fundamentais” (citado em artigo).

O medo de que a revolução haitiana servisse de exemplo para a libertação de escravizados e a independência de outras colônias criou tendências históricas de entender o país como ameaça internacional.

“O Haiti foi historicamente objeto de uma atenção negativa por parte do sistema internacional. Percebido como uma ameaça, é a força que define as relações do mundo com o Haiti e jamais o diálogo”.

Assim, a instabilidade política do país também é causada pelas constantes intervenções internacionais, segundo Seitenfus.

A Revolução Haitiana fez nascer o primeiro país liberto da escravidão pela luta dos próprios escravizados, e paga até hoje pela sua ousadia. Em nome da liberdade, estima-se que cerca de 160 mil haitianos morreram – além da posterior guerra civil e a destruição do país até então cheio de riquezas.

Os haitianos tiveram que pagar uma dívida bilionária (o que equivale aos US$ 21 bilhões de dólares atuais) por sua independência para a França, o que deixou o país devastado economicamente, além de sofrer embargos econômicos constantes e de se tornar quintal de intervenções políticas e militares. A política externa direcionada ao Haiti, portanto, apresenta-se como um histórico de fracassos e arbitrariedades.

Para Borba, o Brasil precisa assumir a responsabilidade por mais de uma década de intervenção política e militar no Haiti. “Não podemos simplesmente lavar as mãos e ir embora sem prestar contas. O sequestro da soberania haitiana produz sobre seus sequestradores o peso da culpa pela situação lamentável em que o país se encontra hoje”. O historiador explica ainda que Venezuela e Cuba ajudaram o Haiti sem intervenções militares. Seu auxílio depois do terremoto de 2010, veio por meio de médicos, professores, agrônomos; construíram praças e viadutos.

A população haitiana resiste superando expectativas, desastres naturais, violências institucionais e a insistente ocupação estrangeira, não sem luta. O Haiti foi uma vanguarda na busca da liberdade no mundo e segue sendo um país de constante resistência, apesar de frequentes intervenções, inspirado no potencial revolucionário de seus ancestrais.

Marcelle Felix é militante da Rede Emancipa, jornalista e mestranda em sociologia pelo IESP – UERJ. 

Fuente: Carta Capital

DECLARATORIA APOYO A LA RESISTENCIA ANTI-MINERA DE COMUNA RIO BLANCO EN ECUADOR

DECLARATORIA

APOYO A LA RESISTENCIA ANTI-MINERA DE COMUNA RIO BLANCO EN ECUADOR

 JUBILEO SUR/ AMERICAS

Organizaciones miembros de la red Jubileo Sur Américas respaldamos las acciones que la comunidad campesina de Río Blanco, en la Provincia del Azuay en Ecuador, están realizando para pedir al gobierno la suspensión de la actividad minera de la compañía china Junefield Mineral Resource (Ecuagoldmining S.A.), que explotaría oro y plata. La comunidad reclama por los impactos que ya se están sintiendo en la fase de construcción de la mina como son principalmente las afectaciones a las fuentes de agua.  Nos preocupa sobremanera la militarización de la zona en respuesta a los justos reclamos de la comunidad.

 Desde JS/A vemos consternados el avance de la explotación minera en nuestra región y los graves impactos sociales, culturales y ambientales que conlleva.  Así también la violación de los derechos humanos, colectivos y de la naturaleza.  Más de 200 conflictos mineros se han dado en Latinoamérica, entre mineras – nacionales y transnacionales – y gobiernos que las apoyan contra comunidades que rechazan estos proyectos por el desplazamiento de población y la contaminación ambiental.  En este sentido nuestro compromiso es apoyar a las comunidades afectadas – en su mayoría indígenas, campesinas y negras – y aportar a su fortalecimiento en la defensa de sus derechos, territorios y fuentes de vida.

 En este sentido rechazamos los proyectos de explotación minera industrial y pedimos al gobierno ecuatoriano garantice el pleno respeto de los derechos de los pueblos, en este caso, a la comuna de Río Blanco que ha manifestado claramente su rechazo a la actividad minera y la suspensión de todo tipo de intervención.  Esto es lo que esperamos de un país que promueve los principios del sumak kawsay y el reconocimiento de los derechos de la naturaleza; y que actualmente se encuentra impulsando un tratado internacional que obligue a las empresas transnacionales a respetar los derechos humanos.

  

Latinoamérica y El Caribe

31 agosto 2017

No debemos, No pagamos!!!

Somos los pueblos, lo acreedores!!!

 

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JUBILEO SUR/AMERICAS (JS/A)

Secretaría Regional a/c INTIPACHAMAMA

Oficina regional: Reparto San Juan,

Contiguo a Radio Maranatha, Managua, Nicaragua.

Telefax: (505) 22443537

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